domingo, 28 de dezembro de 2008

Tin...tin... para o Ano Novo – crendices que alimentam a tradição!

Procuramos sempre saudar o Ano Novo com um brinde, na esperança de que aquele momento de euforia se perpetue. Para que você faça o seu “tin...tin...” consciente, é bom que saiba que a palavra BRINDE é de origem alemã que traduzida significa “OFEREÇO-TE” e o hábito desta manifestação teve início na antiguidade entre os saxões, ao passar o copo (um único copo) de mão em mão, para que todos compartilhassem o conteúdo, partilhando assim os seus desejos. A bebida, para eles, tinha poderes mágicos e o que naquele momento fosse desejado, aconteceria efetivamente, diferentemente de hoje, quando já não se acredita na magia que a bebida oferece, mantendo somente o sentido de comunhão, apesar do uso de taças individuais (tornando-se o costume muito mais higiênico). O “tin...tin” (tocar os copos levemente) representa os cinco sentidos : visão, olfato, tato, paladar e audição, tornando o prazer mais completo. Pode-se, entretanto, apenas erguer o copo em silêncio e brindar com qualquer bebida, inclusive água, até porque diz muito mal da pessoa, quando ela se recusa a participar de um brinde; acabar com a bebida após o brinde com um só gole; pousar a taça na mesa sem tomar um só gole e brindar com o copo vazio. Quanto ao uso do branco na virada, o costume varia muito de país para país: entre nós, esta cor lembra a paz e a pureza; para outros remete à morte, ao luto, a exemplo dos orientais. A sabedoria popular diz que as cores usadas na passagem de um ano para outro, influencia o destino de cada um e acredita que para quem busca a paixão, a cor vermelha é a ideal. O amarelo, que tem a cor do ouro, atrai dinheiro, como comer doze uvas verdes à meia-noite do Ano Novo e colocar três caroços de romã dentro da carteira no dia de Reis, é bom para ter dinheiro em todos os meses do ano. Enfim, o desejo de renovação está muito presente em todos pela ansiedade por boas mudanças, expressando isso através de rituais como desfazer-se de roupas e objetos envelhecidos. Também é hora de dar vazão às superstições: pular sete ondas, comer uva ou romã no dia 31 de dezembro, sal grosso na decoração do reveillon, para espantar mau-olhado. É a hora de todos vestirem branco no Brasil, numa expectativa de paz, de luz e também para reverenciar Iemanjá, a mãe dos Orixás, em grande parte do seu extenso litoral, acendendo velas e jogando presentes ao mar. Na verdade, o que se pretende com estas práticas, é propalar os hábitos e costumes que representam a nossa tradição, não importando se as superstições geram resultados, e fortalecer o desejo de começar o ano com o pé direito, com alegria, mesa farta e em família. E, se você mora no litoral, por que não levar rosas brancas e perfumes para jogar com muita fé nas águas? Se nós temos o poder interior de transformar – na medida do possível - o nosso dia conforme o nosso espírito, por que não... Feliz Ano de 2009 ?
Lygia Prudente

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Feliz você neste Natal!


Chega o final do ano e logo pensamos: passou rápido. É, realmente somos atropelados pelo tempo, principalmente quando fazemos o que, efetivamente, gostamos e também porque estamos envolvidos com pessoas que nos acrescentam, no nosso ambiente de trabalho. Pois é! Quando o Natal de aproxima, temos a sensação de que o ritmo diminui um pouco. Afinal, paramos para pensar em tudo o que conquistamos e fizemos de produtivo na nossa jornada. Depois desse momento de reflexão, começamos a fazer planos para o ano vindouro. Quem desperta tudo isso é o espírito do Natal. As comemorações do nascimento do Menino Jesus tem o poder de promover os sentimentos de união, de solidariedade, de prosperidade, de paz, de amor, naqueles em que estes sentimentos já sejam, pelo menos, sementes. Entretanto, é importante ter consciência que só estaremos no Natal propriamente dito, quando estes sentimentos alcançarem o nosso coração e para isto, é necessário que tenhamos no nosso âmago, na nossa consciência, sentimentos de benevolência, perdão, generosidade e alegria. É chegado o momento de, ao avaliarmos as nossas ações, jogarmos fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que nada nos acrescentaram e nos roubaram a paz de espírito e energia. Façamos uma limpeza nas amizades, amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os nossos, tirando do nosso coração aquelas pessoas inseguras, negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam nos arrastar para o fundo dos nossos próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento e passemos a alimentar projetos pessoais e profissionais. Comecemos agora e experimentemos aquele sentimento gostoso de liberdade. Liberdade de não ter de guardar o que não nos serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de pensar que mudará alguma coisa e... para melhor. Há mais, muito mais no Natal do que luz de vela, alegria e presentes. É a hora da faxina interior, que nos possibilitará prosseguir na caminhada de forma construtiva e coerente com os nossos princípios. Felizes são os momentos... e que assim seja neste Natal!

Lygia Prudente

domingo, 7 de dezembro de 2008

Ivan Valença e o Cine Aracaju


Comentário feito pelo crítico de cinema Ivan Valença. a respeito da postagem "Cine Aracaju", datada de 7 de setembro de 2008.

De: Data: 30 de novembro de 2008 15:33
Assunto: comentários
Enviado por: infonet.com.br
Meu caro Armando,

Recebi seus e-mails, reproduzindo seus artigos sobre os cinemas de Aracaju, que serão muito preciosos nos meus artigos. No artigo do cinema aracaju ou está enganado eu ou está enganado você. Não me lembro das trocas de poltronas, que sempre foram as mesmas, de assento azul acolchoado. Mas me parece que não havia acolchoamento nas costas. No que se refere a tela ela nunca foi trocada, sempre foi a mesma. Aconteceu que o Cinema Aracaju inaugurou-se sem ter a lente cinemascope, daí porque os filmes scope de empresas que eram exclusividades suas passavam em outra sala. então, como eram inumeros filmes em cinemascope, os baianos donos de cinema encontraram um jeito. A lente cinemascope foi fabricada especialmente para ele, para poder projetar na chamada tela panoramica, cortava um pedaço em cima e às vezes ficava muito dificil a leitura das legendas. Por isso Queiroz, quando arrendou o cinema, encontrou outra fórmula. A tela panorâmica continuou e ele mandou fazer outra lente, que enlarguecia quando o filme era em scope e ficava estreita quando o filme era comum. Acima da tela, ele colocou uma faixa de pano de veludo de modo que tinha-se a impressão que a tela era cinemascope de verdade. Quando se exibia o filme plano, ele usava a lente para tela comum. Pelo menos é isso que me lembro. Mas não descarto você de ter razão.

Ivan Valença

domingo, 30 de novembro de 2008

Época de magia.


E novamente é Natal! Há um clima de alvoroço no ar e consigo vislumbrar o desespero das compras de última hora, do embrulhar dos presentes e o arrumar da casa para a tão formal e compromissada ceia de Natal. Apesar de termos vivenciado esta cena por incontáveis vezes, um misto de prazer e hábito impera nesta época do ano tão cheia de magia, de sentimentos nobres que podem e devem ser explorados mais profundamente, através de atitude solidárias e de partilha. Para isso, devemos primar por uma organização em termos de planejamento para que não deixemos que este momento passe sem que tenhamos tempo de exercitar a real essência do Natal. Para começo de conversa, procuremos fazer uma lista de todas as pessoas a quem pretendemos presentear acompanhada das sugestões que se coadunam com a personalidade de cada uma. Embora a tradição precise ser preservada - temos este compromisso - os tempos são outros, reduzindo, significativamente, o número de pessoas constantes desta relação. Os netos hoje são prioridade e recebem o tão esperado presente no lugar dos pais que, por sua vez, se contentam em ver a felicidade dos filhotes. Por outro lado, há presentes para todos os gostos e todos os preços, facilitando assim, a adequação do seu Natal à condição da sua bolsa. Os presentes "curinga" são os preferidos e fáceis de encontrar, a exemplo do porta-retratos, lápis, etc. Particularmente os "curinga" não se constituem no meu interesse. Na minha opinião o presente não só deve como tem que ter a "cara" do presenteado e o valor não precisa extrapolar o seu planejamento. Vinhos e chocolates têm lugar garantido no gosto esmerado de quem os recebe. Lembro-me de ter vivenciado alguns Natais nos quais era adotado como presente um queijo do reino. Saudosos tempos. Lembremo-nos dos bazares beneficentes muito aflorados nesta época do ano e onde se tem a chance de comprar um presente mais sofisticado e, também, da internet, recurso muito utilizado nos dias atuais pela praticidade que oferece. Enfim, o planejamento e a organização decidem sobre como atravessaremos os festejos natalinos. Só depende de nós!


Lygia Prudente

domingo, 23 de novembro de 2008

Coronelismo de Fraque


Sidarta Gautama – Buda – diz que “para alcançar a sabedoria, o indivíduo tem que abrir um caminho de dentro para fora, ao invés de tentar absorver a luz, supondo que ela se encontre além de si mesmo”. Sábio esse “cara” não é mesmo? Há uma necessidade imperiosa, característica dos ditos tempos modernos, que nos acostumemos a perceber coisas que no primeiro momento nos fogem, aguçando cada vez mais o nosso senso comum, porque é dele que se manifesta, em todas as ações que praticamos, os nossos valores morais, herança dos nossos pais, de inestimável valor. Constata-se, na modernidade, a ausência de princípios como a solidariedade, o respeito pelo outro, a partilha e, em contrapartida, semeia-se a discórdia, a ambição exarcebada, o poder do dinheiro – que tudo compra e tudo pode, fazendo desaparecer os limites e enaltecendo, cada vez mais, a vontade de poucos, alicerçada pelo preconceito latente e a naturalidade dos atos praticados para se chegar ao alcance de objetivos ilógicos e, acima de tudo, sórdidos. O bom disso tudo é que ainda consigo ficar surpresa e estupefata ante fatos desta natureza. Quanta hipocrisia no lidar com pessoas, “socialmente” falando, falsidade e “jogo de cintura”, que permeiam as relações dos “poderosos”, dos donos do dinheiro, no mundo atual, predominantemente alicerçada pela vontade de vencer sempre. Sentimos falta de “berço” – no sentido da formação e da educação familiar, com princípios nobres fortemente arraigados e indispensáveis na construção do sujeito coerente, completo, que contribua positivamente para a sociedade na qual está inserido, independente do patrimônio material que o acompanhe. Não é a modernidade que vai estabelecer parâmetros como este, e sim, cada um de nós, dentro do que temos como importante e norteados pela escala de valores advinda do nosso senso comum, a nossa intuição, produto da nossa formação. A globalização impõe regras - quando estimula a competitividade desenfreada - que precisam ser avaliadas. Devemos absorver e tomar como parâmetros aquilo que detectamos como enriquecedor, porque o que conquistamos de puro e durável da vida atribulada que levamos, são as relações com as pessoas que pensam igual. E a estas temos a obrigação de não decepcioná-las. Sejamos a essência do nosso interior e assim estaremos fortalecidos para enfrentar o mal com o qual convivemos diariamente, camuflado em peles de cordeiros.


Lygia Prudente

domingo, 2 de novembro de 2008

Lampião no contexto do cangaço


Sete décadas da morte do Rei do Cangaço, Maria Bonita e mais nove companheiros, ocorrida na manhã de 28 de julho de 1938, numa emboscada que ficou conhecida como o “Massacre de Angico”, em Poço Redondo-SE. Chega ao fim a trajetória do mais popular cangaceiro do Brasil. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Por sua inteligência e destreza, Lampião até hoje é considerado o Rei do Cangaço. No sertão castigado por secas prolongadas e marcado por desigualdades sociais, a figura do coronel representava o poder e a lei. Criava-se desta forma um quadro de injustiças que favorecia o banditismo social. Pequenos bandos armados, chamados cangaceiros, insurgiam-se contra o poder vigente e espalhavam violência na região.
Eram freqüentes, também, os atritos entre famílias tradicionais devido às questões da posse das terras, às invasões de animais e às brigas pelo comando político da região. Num desses confrontos, o pai de Lampião foi assassinado. Para vingar a morte do pai, entre outros motivos, Lampião entra para o cangaço.
O cangaço - movimento constituído de várias nuances no tempo e no espaço – teve suas primeiras manifestações na década de 1830, com grupos espontâneos que agiam no meio rural, instrumentalizados para resolver disputas políticas entre os potentados locais ou pela propriedade da terra. O cangaço sempre foi caronista dos momentos de crises políticas e sociais ocorridas em várias etapas da História do Brasil. O auge das suas ações e da organização cangaceirista se deu nas três primeiras décadas do século XX, sobretudo com o surgimento de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, a partir de 1918. Na verdade, o Cangaço é um sintoma da luta de classe que se processava no Nordeste. Entretanto, o cangaceiro não tinha consciência social e o Cangaço acabava sendo simplesmente uma reação à miséria que não se resolvia de forma racional e sim, pela violência. Para entendermos bem tudo isso, é preciso acompanhar como atuavam os cangaceiros, e, principalmente, o grupo de Lampião, de quem se tem mais informação. O desenrolar da história do cangaço, tem raízes fortes na questão social e na disputa por um espaço de chão, fatores que influenciaram, indiscutivelmente, no surgimento das revoltas populares, de grupos e líderes que buscavam maneiras de estabelecer um poder paralelo, em contraponto ao governo constituído, que não cumpria seu papel de manter a estabilidade e, principalmente, a justiça social. O sertão do nordeste brasileiro tem sofrido poucas alterações ao longo do tempo, tanto no aspecto climático quanto no social. Desde a segunda metade do século passado até o começo deste, a contestação à pobreza e às péssimas condições de vida tem rendido movimentos populares e muitas dores de cabeça para os donos do poder local e para a administração oficial. Várias rebeliões aconteceram, causadas pela exploração da mão-de-obra do sertanejo desalojado de suas terras pela seca e pelos grandes latifundiários, além de submetido a regimes de trabalho praticamente escravo. Essas rebeliões disseminaram-se pelo agreste, alimentadas pelo número cada vez maior de flagelados. Sem outras alternativas e sabendo que esse estado de coisas seria uma constante, os grupos de rebeldes procuraram em si mesmos os meios para tentar mudanças, instigados pelo analfabetismo, pela fome, pela falta de futuro melhor, pelos anos sucessivos de seca, pela falta de vontade política.
O sertão é, por natureza, adverso ao homem que ali tenta viver. O sertanejo nordestino e sua terra eram e continuam sendo um só todo. Tirar a terra do sertanejo é matá-lo. Tirar o sertanejo da terra é condená-lo a uma existência tão diferente do que lhe é próprio e natural que chega a ser irreal.
As causas do surgimento do cangaço foram de natureza variada. A pobreza, a falta de esperanças e a revolta não foram as únicas. Isso é mais que certo. Mas foram estas circunstâncias as mais importantes para que começassem a surgir os cangaceiros. Muitos, como dissemos, eram pequenos proprietários, mas mesmo assim tinham que se sujeitar aos coronéis. Do meio do povo sertanejo rude e maltratado surgiram os cangaceiros, convictos de que lutavam pela sobrevivência.
Lampião, ao contrário do que muita gente pensa, não foi o primeiro cangaceiro, mas foi, praticamente, o último. Sem dúvida nenhuma, foi o mais importante e o mais famoso de todos. Seu nome e seus feitos chegaram a todos os recantos de nosso país. Praticam assassinatos por vingança ou por encomenda. Pela fama que alcança, Lampião torna-se o "inimigo número um" da polícia nordestina. Muitas são as recompensas oferecidas pelo governo para quem o capture. Mas as tropas oficiais sempre sofrem derrotas quando enfrentam seu bando.
Em 1930, há o ingresso das mulheres no bando. E Maria Déia, a Maria Bonita, torna-se a grande companheira de Lampião. Esta "aristocracia cangaceira" , como define Lampião, tem suas regras, sua cultura e sua moda. As roupas, inspiradas em heróis e guerreiros, bem ao estilo de Napoleão Bonaparte, são desenhadas e confeccionadas pelo próprio Lampião. Os chapéus, as botas, as cartucheiras, os ornamentos em ouro e prata, mostram sua habilidade como artesão.
Após dezoito anos, a polícia finalmente consegue pegar o maior dos cangaceiros. Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, a Volante do tenente João Bezerra, numa emboscada feita na Grota do Angico, em Sergipe, mata Lampião, Maria Bonita e parte de seu bando. Suas cabeças são cortadas e expostas em praça pública. Lampião e o cangaço tornaram-se nacionalmente conhecidos. Seus feitos têm sido freqüentemente temas de romancistas, poetas, historiadores e cineastas, e fonte de inspiração para as manifestações da cultura popular, principalmente a literatura de cordel. O caminho que Lampião traçou nas sendas da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, hoje claramente observado nos mapas e na memória viva da história do cangaço, praticamente não foi alterado nos últimos 60 anos.
Onde lutou Lampião, nos dias de hoje ainda estão as sobras da subserviência, a presença maciça da ignorância, a exploração dos pequenos e dos humildes. E, de forma geral, também a indiferença nacional continua a mesma. Até a imagem física das localidades permanece quase a mesma do século passado. Quase nada mudou desde os tempos em que Lampião decidiu que não seria mais o trabalhador Virgulino Ferreira.

Lygia Prudente

domingo, 14 de setembro de 2008

Criativos e Globalizados

A Revolução Industrial tornou as organizações maiores e mais complexas, trazendo consigo avanço tecnológico e uma visão focada para a lucratividade e produtividade, onde homens já não se identificam com o produto de seu trabalho. Cada vez mais percebemos em nossos lares e local de trabalho, as amarras da tecnologia bitolando fortemente o ser humano, individualizando-o, dificultando seu contato e relacionamento com os demais, mutilando indiretamente a criatividade, a imaginação, a percepção e a espontaneidade. Uma grande parte de nossas vidas é gasta nos domínios da conformidade: estamos sujeitos à considerável manipulação e ajustamento, e é bem possível que muitas das escolhas que nos estão abertas, são mais aparentes do que reais. O homem vai deixando de lado sua capacidade criadora para tornar-se a “engrenagem de uma máquina”. A experiência do homem urbano, metropolizado, funde-se com a tecnologia moderna. Parece que o ritmo das máquinas impõe um novo ritmo e um novo tempo para o ser humano. Qual a questão mais vital para as empresas hoje? Capital? Estratégia? Produtos Inovadores? Tecnologia de Ponta? São todos eles, itens poderosos. Mas, subitamente, perdem a intensidade e a força quando confrontados com outro tópico: o talento. Nada é tão vital na agenda das “grandes” empresas, hoje, como o talento. O movimento de valorização das relações humanas no trabalho surgiu da constatação da necessidade de se considerar a relevância dos fatores psicológicos e sociais na produtividade, consequentemente, passou-se a valorizar as relações humanas no trabalho. Há um crescente rebuliço das pessoas e das empresas na busca pelo bem-estar e melhoria da qualidade de vida individual e corporativa, principalmente pelo fato de que, para sustentar o nível de qualidade dos produtos, é necessário ter funcionários saudáveis e capacitados. Não deve existir conflitos entre uma vida de encantos e de atividades práticas e produtivas, que podem servir uma a outra: uma deleitando o espírito e a saudável ambição, a outra confortando o coração.
Lygia Prudente

sábado, 13 de setembro de 2008

Saudades do Cine Palace (10)


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Leia o texto ouvindo a trilha sonora de "Os 10 Mandamentos"

A cabine de projeção do Cine Palace era bem espaçosa e aclimatada e, na porta, o tradicional aviso “Proibida a Entrada”. Tinha uma escadinha e logo se via os dois projetores RCA-100, atrás dos quais havia a enroladeira, onde o operador rebobinava o carretel da parte que acabara de ser projetada. Ali mesmo, também, era feita a revisão dos filmes quando estes chegavam da transportadora, vindo de outro estado em sacos de pano, que traziam as latas de filmes, cartazes, fotos, certificado de censura e orientação para o projecionista. Em Aracaju, os filmes eram exibidos com algum atraso, muito arranhados, às vezes, cortados, com as perfurações estragadas, o que gerava muitas emendas, que se não fossem bem feitas, poderiam partir-se ou enganchar durante a projeção, ocasionando até a queima do filme. Quando isso acontecia, via-se na tela o fotograma se queimando. Nesta época as lâmpadas eram de carvão. Duas varetas opostas, que funcionavam como pólos positivo e negativo, iam se queimando à medida que as duas pontas se juntavam. Quando as mesmas se afastavam, a luminosidade enfraquecia e o filme que estava sendo projetado escurecia na tela, causando grande protesto da platéia, que batia palmas e assobiava. Outra reclamação mais comum era quando a fita tinha uma emenda mal sincronizada nas perfurações e o quadro saía do lugar, subindo e cobrindo a legenda. No Palace, antes de ser feita uma adaptação na janela de projeção, uma mesma lente servia para o formato de tela standard (pequena e quadrada) e a cinemascope (retangular, tomando toda a tela), dando um efeito bastante interessante de abertura de formato de tela, quando da passagem do cine jornal para o filme principal em cinemascope. No chão, próximo de cada um dos projetores, ficavam as latas de filmes com os rolos, ordenadas em partes, distribuídas em certa quantidade para cada projetor. Os filmes, normalmente, vinham com seis a oito rolos (partes). Outros, como Os Dez Mandamentos (1956), com Charlton Heston e Yul Brynner, com duração de três horas e quarenta e dois minutos, chegavam a ter mais de treze latas de filme (partes). Quando estava para acabar um dos rolos, o outro já era colocado e começava o trabalho de sincronização. Duas marcas no fotograma do filme, aqueles círculos nos cantos da tela espaçados por trinta segundos, eram a deixa para os operadores saberem a hora de acionar o pedal, que no caso dos projetores do Palace, ficavam na sua base, que fechava o foco do que estava encerrando a parte e abria o que iria iniciar-se, fazendo com que a sincronização fosse perfeita, não se notando a mudança de parte. Uma vez, aconteceu de um projetor quebrar e demorou a ser consertado, mesmo assim o cinema não interrompeu as sessões, só que ficava parando o filme toda vez que o rolo acabava, para mudar a parte em um só projetor. A pensar que hoje nos cinemarks da vida, além de ser um só projetor, não se usa mais carretéis, e sim grandes pratos onde se coloca todo o filme, funcionando automaticamente, só precisando do projecionista para colocá-lo, isto por enquanto, porque quando a projeção for digital e depois via satélite, aí nem projecionista terá. Cada vez mais o cinema perde a magia e o romantismo de uma época que não volta mais, deixando os cinéfilos sem seus fetiches, www.fetichedecinefilo.blogspot.com .

Armando Maynard

domingo, 7 de setembro de 2008

Cine Aracaju

Arte: Lygia Prudente

“Cine Aracaju, a melhor programação da cidade”, era esse o slogan, deste que era o menor cinema do centro da cidade, situado à Rua Laranjeiras, Aracaju/Sergipe, onde hoje existe um estacionamento. Quando foi adquirido pelo empresário José Queiroz, teve modificada toda a fachada e a sala de espera, sem que fosse preciso interromper o seu funcionamento. Ao sair da sala de espera, subindo pequenos degraus havia um grande espelho, onde as garotas gostavam de ficar se arrumando. Do lado esquerdo havia uma cigarra que servia para o porteiro avisar ao projecionista a hora de iniciar a sessão. Na sala de exibição foram trocadas também as cadeiras de madeira por pequenas poltronas com estofados no assento, encosto e braços, novidade nos cinemas da cidade. Foi trocada também a tela que era de formato acadêmico (quadrada) para cinemascope (retangular). Possuía dois projetores Philips Holandês, mono, que foram adaptados, depois, para som estereofônico. Dos filmes polêmicos que foram exibidos pelo Aracaju, três se destacaram: Laranja Mecânica (1971) com Malcolm McDowell , que por ter cenas de nudez explícita, só foi liberado depois que a companhia colocou na cópia, com recursos de laboratório, bolinhas pretas cobrindo os órgãos sexuais dos protagonistas. Isto provocava risos na platéia quando da sua exibição, pois viam-se as bolinhas correndo de um lado para o outro, na frente dos atores, a fim de cobrir os órgãos sexuais dos mesmos; O Último Tango em Paris (1972) com Marlon Brando, filme que por muitos anos, ficou proibido, pela censura, de ser exibido no Brasil; Platoon (1986), ganhador de quatro Oscars, um dos relatos mais emocionantes dos horrores da Guerra do Vietnã, dirigido pelo ex-combatente Oliver Stone; outro filme que a censura teve uma recaída, por causa das cenas de violência foi Cobra (1986) com Sylvester Stallone. Os cortes foram feitos na cabine do cinema, pelo próprio projecionista, seguindo orientações vindas de Brasília, descrevendo as cenas que deveriam ser excluídas. Na Semana Santa era sempre reprisado o filme sobre a morte de Cristo, nos Cinemas Aracaju e também Rio Branco (que era arrendado à Zé Queiroz), com uma única cópia para ambos. Por isso, era necessário que os cinemas começassem as sessões em horários diferentes, dando tempo para que um funcionário da empresa ficasse transportando, a pé e por partes, as latas do filme de um cinema para o outro (na época jovens comentavam que algum dia iam fazer com que os dois cinemas parassem, segurando o funcionário no percurso entre um cinema e outro). Dos épicos, lembro-me do filme A Bíblia... no Início (1966), de John Houston, assistido com grande desconforto, pois havia um grilo dentro do cinema. Bons tempos! Hoje o desconforto é o barulho do toque do celular.

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Armando Maynard

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Oficina de Sensibilização

Através da Alegoria da Caverna, Platão chama a atenção para homens que se encontram acorrentados em uma caverna desde a infância, de tal forma que, não podendo se voltar para a entrada, apenas enxergam o fundo da caverna, onde são projetadas sombras das coisas que passam às suas costas, onde há uma fogueira. Caso um desses homens conseguisse soltar-se das correntes para descobrir, à luz do dia, os verdadeiros objetos, quando regressasse para contar, entusiasticamente, o que vira, não teria o seu entusiasmo acatado nem o crédito do que informaria, e seus antigos companheiros o tomariam como louco. No sentido epistemológico, Platão compara o acorrentado ao homem comum, que se deixa dominar pelos sentidos, pelas paixões, e, com isso, só absorve um conhecimento imperfeito da realidade, limitado ao mundo no qual as coisas são meras aparências e estão em constante fluxo e denomina esta contemplação de opinião. Quando a razão supera o mundo da ilusão e consegue atingir o mundo das idéias, dos verdadeiros modelos arquétipos, fazendo com que o homem liberte-se das correntes, Platão diz que ele, o homem, passou a ser filósofo e que as idéias são mais reais que as próprias coisas. Trocando em miúdos: a caverna é o mundo das aparências em que vivemos e as sombras projetadas no fundo representam, exatamente, aquilo que não percebemos. As correntes são nossos preconceitos e opiniões, nossas crenças, de que o que estamos percebendo é realidade. Mas quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? É o filósofo, aquele que tem amor pelo saber. E a luz do sol é a verdade, a nossa realidade.
Tudo isso para enaltecer a postura do CENTRO DE EDUCAÇÃO APOENA, que, numa atitude de rendição às mudanças, escolheu o caminho coerente da busca do melhor, expondo-se à críticas e colocando-se receptivo à sugestões, numa visão de crescimento fundamentado, calcada na discussão dos partícipes do processo e acreditando no trabalho conjunto e na força da partilha de idéias. Assim, aconteceu no último dia 23, sábado, em Fortaleza/CE, a OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO APOENA, com a participação dos seus colaboradores dos Estados do Amapá, Sergipe e Ceará, numa oportunidade ímpar de congraçamento e troca de experiências, com o objetivo de um crescimento alicerçado por pilares como o “saber ouvir”, o comprometimento e normas ditadas a partir das discussões. A sensibilização, com certeza, enriqueceu o nosso olhar, tornando-o mais aguçado e perspicaz para o mundo das idéias.
Parabéns ao APOENA.
Lygia Prudente

domingo, 24 de agosto de 2008

Saudades do Cine Palace (9)

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A grande tela cinemascope do Cine Palace “cabia bem” um épico como DOUTOR JIVAGO (Doctor Zhivago), 1965, Direção de David Lean, com Omar Sharif, Julie Christie e Geraldine Chaplin, vencedor de 5 Oscars, com 3 horas e 21 minutos de duração, filme de grande sucesso, com a famosa composição de Maurice Jarre, Tema de Lara na sua trilha sonora. Os épicos daquela época eram filmes longos, alguns tinham até quatro horas de projeção, e continham abertura, ou seja, após o Cine Jornal (traillers não eram exibidos por motivo do filme principal ser muito longo), e o Certificado de Censura, as luzes da sala eram acesas, a imagem na tela escurecia, começando-se a ouvir a trilha sonora do filme. Quando a mesma acabava, voltava a imagem a aparecer, com a vinheta da companhia cinematográfica, no caso a Metro Golden Mayer e aí sim, começava o letreiro, o filme propriamente dito. Todo preparativo para o espectador entrar no clima. No meio do filme, outra interrupção, a imagem escurecia, aparecia na tela: INTERVALO. Começava-se a ouvir novamente a trilha sonora quando eram acesas as luzes da sala, o que durava cerca de dez minutos. No caso do DR. JIVAGO, o intervalo acontecia na cena em que o trem entra em um túnel, e tudo fica escuro. Volta-se ao filme quando o espectador começa a ouvir o barulho do trem, a tela começa a clarear e aparece o trem saindo do túnel, encerrando-se assim o intervalo. Era um tempo em que se apreciava a sétima arte sem pressa. Não era a um simples filme que se assistia, mas a um espetáculo. Um espetáculo cinematográfico...

Armando Maynard

domingo, 17 de agosto de 2008

Voto - a arma do cidadão!

Em outubro de 2008, teremos eleições para Prefeitos e Vereadores em todos os municípios brasileiros. É um momento propício, para que os eleitores, exercendo seu direito de cidadão contribuinte, dêem uma resposta aos políticos com discurso fácil, mas sem compromisso com o povo, e que pensam somente em seus interesses, esquecendo das propostas feitas em campanha, logo que são eleitos. A carência dos municípios é muito grande, sem saúde, educação, emprego, segurança, moradia e transportes. Está cada vez mais difícil as condições dos mais pobres, doentes e mal alimentados, sofrendo com salários aviltantes e aposentadorias miseráveis, agravadas, cada vez mais, por uma injusta distribuição de renda, que grassa por todos os municípios brasileiros. Os humildes eleitores, políticamente alienados e desinformados, sem alguma consciência do valor de seu voto, vivem enganados com promessas de campanhas, feitas por políticos aproveitadores da ingenuidade de nosso humilde e bom povo. É bem verdade que em toda regra há exceções. Existem muitos políticos sérios, éticos e idealistas, angustiados por não poderem solucionar tantos problemas existentes, principalmente nas camadas mais pobres da população. Além de serem freqüentadores assíduos da Câmara e preocupados realmente com seus munícipes, votam com a consciência, mesmo contrariando seu partido (de oposição), mas que para ele, valem as propostas e projetos apresentados, que venham a beneficiar o povo. Já outros, vivem a negociar e barganhar o tempo todo, interessados tão somente nas benesses do poder, tratando os eleitores com assistencialismo, trocando soluções, idéias, propostas, plataformas, compromissos e planos de administração, por pagamentos de contas de água, luz, dando tijolos, areia, cimento, telhas e remédios, tudo isso antes do pleito, com o fim de comprometer o pobre eleitor a votar nele como agradecimento, roubando-lhe o direito sagrado de escolher aquele que melhor o representaria, isto quando não compram diretamente o seu voto. Depois que conseguem o que almejam, que é a vitória nas urnas, eles viram as costas, não lhes dando a importância devida, pelos votos que o sufragaram nas urnas. O próprio povo também esquece rápido até em quem votou. Este quadro só irá mudar quando a população for mais informada e esclarecida, tendo certo grau de conscientização, instrução, politização e independência, cobrando dos seus representantes e acompanhando o candidato que elegeu, em toda sua trajetória na Câmara ou na Prefeitura do seu município, podendo assim, avaliar seu desempenho e decidindo se o mesmo merece ocupar um cargo público. Caso tenha errado ou se enganado na escolha, na próxima eleição use sua maior arma política – O VOTO, fazendo com que este político não retorne ao cargo que não fez por merecer, começando assim o processo de saneamento, extirpando-o da vida pública.
Armando Maynard

domingo, 10 de agosto de 2008

Cinema Vitória

O Cinema Vitória ficava no último trecho da Rua Itabaianinha, em Aracaju/ Sergipe, onde hoje é o prédio das Lojas Americanas. Dos cinemas do centro foi o primeiro a fechar. Pertencia à Ação Solidária dos Trabalhadores, Instituição ligada à Igreja Católica. Ela tinha mais dois cinemas no Bairro Siqueira Campos. O Vitória era um dos maiores da cidade, numa época em que era comum os cinemas possuírem mais de mil lugares. As cadeiras desconfortáveis, eram todas de madeira, sem estofamento algum e que faziam parte da anarquia dos jovens freqüentadores, que ao baixarem os leves assentos para sentarem-se, faziam com muita força, provocando o “bate-volta”, para causar grande barulho. Isto provocava a expulsão do anarquista do cinema, quando flagrado por policiais, cujas presenças às sessões, nesta época, era comum. O teto da sala de espera do Vitória era todo ilustrado com pinturas das logomarcas das companhias cinematográficas, como a Universal, Metro, Colúmbia, Paramount e outras. Na sala de exibição haviam seis grandes ventiladores, muito barulhentos, com hélices parecidas com as de avião. Uma vez aconteceu da hélice de um deles topar na grade de proteção, assustando a todos.
Dois filmes fizeram grande sucesso junto à família sergipana, no finzinho da década de 50: o clássico espanhol “Marcelino Pão e Vinho” (1955), com Pablito Calvo e a triologia SISSI, com a bela Romy Schnaider - Sissi (1955), Sissi, A Imperatriz (1956) e Sissi e seu Destino (1957). Épicos que foram sucessos de bilheteria em sua grande tela cinemascope: Spartacus (1960) com Kirk Douglas e Exodus (1960), com Paul Newman, com uma trilha sonora marcante. O Vitória exibia muitos faroestes, mas, dois clássicos do gênero ficaram na memória de todos, até pelas suas trilhas sonoras: Sete Homens e um Destino (1960), com Yul Braynner, e Três Homens em Conflito (1966), com Clint Eastwood. Logo depois que foi extinta a censura no Brasil, o Vitória passou a ter a qualificação dada pelo Órgão Censor de “Cinema Especial” e passou a exibir filmes que continham cenas de sexo explícito, como o Império dos Sentidos (1976), que gerou grande curiosidade e polêmica, ficando mais de um mês em exibição, fato inédito em Aracaju. Vinha gente de todo o interior do estado para assisti-lo. Outro, foi “Calígula” (1979), com Malcolm McDowell.
Grande êxito de público, também, foi o filme nacional “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976), com Sônia Braga.
Uma das companhias exclusivas do Cinema Vitória era a Condor Filmes, cuja vinheta de apresentação provocava uma anarquia entre os jovens e alguns adultos, que começavam em coro a fazer: xô, xô, xô, como se estivessem espantando o condor, que estava na imagem da tela, pousado, e logo alçaria vôo, desmanchando-se graficamente, transformando-se ao mesmo tempo na palavra apresenta, quando já se podia ver na tela os dizeres: Condor Filmes Apresenta. Na sessão da tarde, sabia-se do seu início, quando o funcionário começava a fechar as portas – e olha que era uma quantidade enorme de portas – as luzes da sala acendiam-se e logo sem seguida, ele subia a escadinha do lado direito do pequeno palco, para abrir, manualmente, a cortina. Neste momento um comercial da loja de discos “A Sugestiva”, era ouvido no auto-falante da tela. A sessão ia ter início. Já se podia ver a vinheta do cine jornal da Atlântida e, logo em seguida, a da Universal, ambas exclusivas do Cinema Vitória.

Armando Maynard

sábado, 9 de agosto de 2008

Fazendo as Honras da Casa...

No último dia 4, a UVA/ORES recepcionou os seus alunos, iniciando assim o seu período letivo, em Aracaju, com todo o garbo. A palestra do gaúcho Áttico Chassot, professor há 47 anos, licenciado em Química, Mestre e Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com pós-doutoramento na Universidade Complutense de Madri, foi o ápice da noite. Na platéia, cerca de quinhentas pessoas, dentre estas, Alunos, Professores, Diretores e Convidados, ouviram atentamente o tema discorrido com maestria sobre educação e ciência e a necessidade de se "formar jardineiros cuidadores do Planeta", considerando o momento competitivo em que vivemos, a exigir, cada vez mais, uma postura coerente de ações na busca da convivência pacífica e respeitosa com o "outro". E elucidações tais quais as abordadas pelo Prof. Áttico Chassot só acrescentam e proporcionam reflexões. Brilhante... é o adjetivo que qualifica a aula inaugural para os alunos da UVA/ORES.
Lygia Prudente

domingo, 3 de agosto de 2008

Rede Telefônica de Sergipe

A Rede Telefônica Sergipana, funcionou até 29.12.1972, data em que nasceu a TELERGIPE. Ficava na Rua Laranjeiras, próximo ao Cine Aracaju. Nessa época os aparelhos telefônicos eram pretos, pesados, com um disco giratório que constavam a numeração de 1 a 0. Daí a palavra “discar”, tão em voga. Hoje seria digitar, ao invés de ligar, como se fala usualmente. Para se conseguir uma linha, por volta de l969, tinha que se esperar bastante, e... haja paciência. Poucas famílias possuíam telefone, que era um verdadeiro “bem”, incluía-se até em inventário. Para se fazer e receber ligações de outros estados, dependia-se da telefonista. Num domingo ensolarado, a Central recebeu um pedido de uma ligação, vinda da cidade de Salvador, para uma família de Aracaju. A telefonista tentou várias vezes a ligação, o telefone chamava...chamava...mas, ninguém atendia. Quando do retorno, em resposta ao pedido da ligação, a telefonista em vez de informar que o telefone da residência solicitada não atendia, foi mais “precisa”, dizendo “NÃO TEM NINGUÉM EM CASA, FORAM TODOS PRA ATALAIA”. É que nessa época Aracaju não tinha outro lazer, a não ser a Praia de Atalaia, onde realmente todos iam aos domingos.
Armando Maynard

domingo, 27 de julho de 2008

Saudades do Cine Palace (8)

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O Palace era de propriedade de Paulo Dantas, e foi inaugurado com a exibição do filme Sete Noivas para Sete irmãos. Mas o primeiro filme que eu lembro de ter assistido, no mesmo, foi O HOMEM QUE SABIA DEMAIS (1956), direção de Alfred Hitchcock, com James Stewart e Doris Day, que canta a música tema Que será, será, Oscar de melhor canção, um dos momentos mais emocionantes do filme. Outra cena marcante, é quando, em um Teatro, acontece um atentado com arma de fogo e o barulho do tiro é abafado pelo batimento dos pratos da orquestra que se apresenta naquele momento, gerando um suspense, enfatizado pelo projecionista com o aumento do som, a fim de assustar os espectadores. Outro filme de suspense no qual foi usado o mesmo recurso, pelo projecionista, foi O EXORCISTA (1973), direção de William Friedkin, com Linda Blair e Max Von Sydow, filme ganhador de dois Oscars. Quando da sua exibição gerou grande expectativa e era motivo de comentários e polêmicas na comunidade católica. Na época, falava-se dos sustos que se tomava em algumas cenas. Bons tempos aqueles que, para nos assustarmos, era preciso entrar no cinema. Hoje nos assustamos quando saímos dele...

foto e texto de Armando Maynard

domingo, 20 de julho de 2008

A Sutil Imponência da Música

Cresci entre possibilidades de cultura que hoje me vanglorio de tê-las vivenciado: meus pais tinham o hábito da leitura e cultuavam a música. Numa salinha de estar embaixo da escada que levava ao pavimento superior, uma estante relativamente grande compunha o ambiente, altiva e imponente, numa demonstração de que tudo pode pelo que tudo sabe, considerando as histórias e as informações das quais era detentora através dos pesados volumes de imaginação que o seu esqueleto sustentava. Assim, com a curiosidade aguçada pela formação recebida e pelos exemplos que me norteavam, comecei, na adolescência, a buscar leituras mais consistentes como As Duas Mães, Éramos Seis, Os Irmãos Karamazov, e outros tantos volumes pesados e carregados de emoção. As leituras, na minha casa, eram embaladas, sempre, pela música, nos seus diversos estilos, desde a clássica à MPB. A minha mãe deleitava-se ao piano – tocava muito bem – a impregnar sutilmente nos filhos, o gosto musical apurado, que marcou a nossa vida para todo o sempre, até porque a perdemos muito prematuramente. Talvez isso tenha nos transformado em fãs incondicionais do ritmo e da melodia, muito embora, sem aprofundamento técnico algum. Adotamos a música como companheira, não só nos momentos de alegria e de comemorações, mas, e, principalmente, de reflexões, de planejamento, enfim, efetivamente companheira. Tentando seguir os passos da pianista da família, estive por algum tempo lidando com a teoria e a prática, familiarizando-me com este instrumento mágico, capaz de produzir sons que enlevam. Talvez a falta de propósito, estava eu na adolescência, fez-me desistir de tal projeto, infelizmente, digo hoje. Nem isso fez com que eu afastasse a música de mim. Ao contrário, tenho um gosto musical eclético e as escolhas variam conforme o momento. Se estou escrevendo, prefiro a música instrumental – “Certas Coisas” de Milton Guedes, é o meu preferido. Traz músicas muito boas que ajudam a inspiração, como Smooth Operator, Roxanne, Ain’ t No Sunshine e outras. Se ocupada com alguma tarefa mais mecânica, prefiro a MPB, momentos que me fizeram descobrir um estilo de música mais nosso, como Avôhai de Zé Ramalho, excêntrico, tipo Zeca Baleiro, cujo conteúdo das letras são fortes, satirizam, a exemplo do Samba do Approach, que brinca com a questão do estrangeirismo, tão sério e já enraizado nos nossos costumes. As minhas peças para Teatro de Bonecos, essencialmente de cunho didático ( sobre fraseologia popular, diversidade cultural, etc.), são sempre enriquecidas com músicas como a de João Bosco, No Tabuleiro da Baiana, para enfocar as nossas raízes, os nosso costumes. Tem coisa mais prazerosa do que aprender com fantoches e cantando as nossas “coisas”? Pois é... a música consegue nos reenergizar e purificar o nosso dia. Eu tive a sorte de descobrir que isso tem fundamento. Acreditem. E para deleite de todos nós, Luiz Bonfá toca a sua arte. Assistam!
Lygia Prudente

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O Fascínio das Bancas de Revistas & Jornais

Arte: Simone Prudente

Difícil é passar por uma e não entrar. Tudo começou com a Bomboniére Chic, administrada pelo saudoso Moacir, pessoa afável e educada. Ficava na Rua Laranjeiras, anexa ao Ponto Chic, (na época, famoso restaurante da cidade, onde hoje funciona a Delegacia do Ministério do Trabalho, na esquina com a Rua João Pessoa). Depois mudou-se para o primeiro trecho da Rua João Pessoa, no Calçadão, transferindo-se em seguida para a Rua Itabaiana, onde permaneceu até o seu fechamento. Considerada o ponto de encontro dos amantes da leitura, políticos e intelectuais, tinha sua maior frequência por volta das 16:30 h., quando chegavam os jornais do sul do país – isto quando não extraviavam, só chegando no outro dia. Nessa época o jornal de maior circulação era o Jornal do Brasil, acompanhado de O Globo e O Estado de S.Paulo e, por ocasião das diretas já, da Folha de S. Paulo, que começou a ter destaque no cenário editorial, pelo seu engajamento político, chegando a concorrer com o Jornal do Brasil em termos de aceitação. Um dos habitués da Chic era o Professor “Zé” Cruz, intelectual, muito conhecido dos Sergipanos, que dizia jamais fazer assinatura de um jornal, pois o prazer estava em ir pessoalmente pegar seu exemplar na Chic. Lá também poder-se-ia encontrar Erotildes, que brincava com quem comprava dois jornais, a Folha e o JB, e perguntava “como você vai ler tudo isso?”. Das revistas semanais da época, destacava-se O Cruzeiro já em seus últimos dias, massacrada pela sua concorrente imediata a revista Manchete, em seu auge, pois com a TV ainda precária e em preto e branco, o Sergipano via o Brasil e o Mundo pela Manchete, com suas fotos grandes e coloridas. Nas famílias, quando o pai chegava em casa com a revista, era uma disputa para ver quem ia ler primeiro. Por ocasião do carnaval era editada a Manchete Especial que fazia a alegria dos patriarcas da época, para ciúme das recatadas e pudicas esposas de nossa querida “barbosópoles”. Em 1968 surgia a revista semanal de texto - como era chamada - a Veja, que viria forçar o fim da revista Visão. Depois, outras surgiram como a Isto É e Afinal. Também se destacavam a Senhor e a Revista Geográfica Universal. Nesta época, uma revista de grande sucesso junto aos leitores foi Realidade, várias vezes apreendida pela censura, por ousadia de suas reportagens. Outra que sofreu muito com a falta de liberdade de expressão foi a Ele & Ela, revista de nus femininos, voltada para o público masculino, mas com textos muito bons sobre costumes e comportamento, educando muitos jovens em sua iniciação sexual, papel hoje feito pelas revistas voltadas ao público feminino, a exemplo da Cláudia. Na chic, pela manhã, encontrávamos os jornais locais: Gazeta de Sergipe de Orlando Dantas, Diário de Aracaju de Assis Chateaubriand, A Cruzada da Arquidiocese, Jornal da Semana de Hugo Costa, Tribuna de Aracaju de Ribeirinho, Jornal de Sergipe de Nazário Pimentel. Todas as bancas e lojas que vendiam revistas e jornais localizavam-se no centro da cidade, com a exceção da banca do Mini - Golfe. No centro, destacava-se a banca de Roberto que ficava em frente à Ponte do Imperador, sendo aos domingos ponto de encontro de amigos, mudando-se depois para a Pça. Fausto Cardoso. A Banca do Coelho, ficava em frente ao Cine Palace, na Rua João Pessoa, já Calçadão, pois quando da construção do mesmo, foram instaladas três bancas em cada trecho, todas padronizadas e feitas de vidro blindex. Uma banca muito visitada era a que ficava ao lado da Igreja São Salvador. Existia uma loja de revistas na rua Itabaianinha, próximo ao Cinema Vitória, que fazia parte do programa, ir ao cinema e na volta passar na mesma. Em formato de corredor, as revistas eram empilhadas, facilitando muito a escolha e manuseio. Surgiram depois as bancas da Livraria Regina, espaçosas e organizadas, que se espalharam por todo o centro. A mais famosa era a que ficava na Rua Laranjeiras, chegando à Rua da Frente. Nessa época as coleções de fascículos eram uma febre,como “A História do Século 20” e a “Enciclopédia Universo”, que, depois de completadas a coleção, eram entregues lá mesmo para encadernar. Hoje, as bancas encontram-se espalhadas por toda a cidade, oferecendo grande diversidade de editoras e revistas segmentadas, apesar da redução das tiragens, causadas pela opção da internet, forçando-as à uma adaptação ao novo tempo sem, contudo, deixar de exercer o fascínio ante o prazer de uma boa leitura.

Armando Maynard

sábado, 12 de julho de 2008

A Feirinha de Natal

Fotos: de Armando Maynard

No inicio do mês de dezembro começavam os preparativos para a Feirinha de Natal, festa tradicional do Aracajuano, que se instalava no Parque Teófilo Dantas, no centro de Aracaju-Se. Tinha sua culminância na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, e ia até o dia 6 de janeiro, festa de Reis. Eram atrativos na festa diversos brinquedos como A Onda, Os Barquinhos, A Roda Gigante, e o famoso Carrossel do Tobias, um dos brinquedos mais tradicionais da época, e um patrimônio dos sergipanos que se perdeu – mais um. Quando o carrossel ia começar a rodar, avisava com um possante apito, que era ouvido em várias partes da cidade. Havia atrações por todo o parque, como as casinhas de teatro, com apresentações como A Bela e a Fera. Uma delas, atraía grande público, pois na sua fachada, acima da porta de entrada, tinha uma boneca vestida de baiana, rebolando ao som de uma frenética música. Por toda a praça ficavam espalhadas várias barracas e cercados, como a do tiro ao alvo com espingarda de ar comprimido, cuja munição eram setinhas, como a da pescaria na areia, em cujo peixe, de metal, estava escrito o nome do brinde e o jogo de argolas para laçar o prêmio. Um dos brindes mais desejados dos jovens eram as carteiras de cigarro, principalmente a minister. Do outro lado da Catedral ficavam as grandes e vistosas bancas de roletas, que depois foram proibidas. Ao fundo, os bares, onde a boemia se esbaldava até altas horas da noite, ouvindo músicas do cancioneiro popular, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva e Cauby Peixoto. À frente da igreja eram enfileirados os bancos das tradicionais famílias, constando nos seus encostos os nomes dos proprietários, que, à noite os ocupavam e, sentados, assistiam à movimentação dos transeuntes e o passeio dos jovens na grande passarela que se formava, cujo percurso ia da frente da Catedral, passando pela Sorveteria Iara, Pça. Fausto Cardoso até a Ponte do Imperador, num vai-e-vem interminável. Aos domingos, a mesma avançava pela Rua João Pessoa, quando as lojas abriam para expor suas reluzentes vitrines até as 22 horas. Era o footing, ou mais popularmente conhecido naquela época como “O Quem me Quer”. A vitrine da P. Franco chamava atenção pelo lançamento de modernos eletrodomésticos. Outras lojas também destacavam-se como a Dernier Cry, A Moda, Magazin dos Móveis. A Lar Belo, especializada em móveis e decorações, era a mais movimentada nas noites de domingo. Uma grande rampa que levava à parte superior da loja possibilitava um sobe e desce da turma da paquera. O passeio pela João Pessoa terminava na esquina da Rua São Cristóvão, na loja de sapatos Esquina da Economia, que no seu interior era cheia de espelhos - o deleite das garotas que ficavam a se olhar e arrumar as roupas e cabelos. Tempo do perfume Lancaster, do gumex, pente de metal, da camisa volta ao mundo e do cigarro continental (por ser o mais barato), do cuba libre na Iara, da cerveja geladíssima no Cacique Chá e da sopa mão de vaca na Cascatinha. Não esquecendo do sorvete da Cinelândia e do Cachorro Quente de seu João. De volta ao parque... à meia noite havia a Missa do Galo. Nesta hora todos os brinquedos paravam, o Carrossel com seu apito silenciava e o serviço de alto-falantes passava a transmitir a santa missa. A feirinha de Natal era especial para a criançada, que nas tardes de dezembro, já de férias da escola, divertia-se bastante, pois além de várias atrações com a série de brinquedos ali existente, havia uma grande quantidade de guloseimas, como a maçã coberta com melado de açúcar, pirulito enrolado num papel e enfiado no palito, algodão doce nas cores branco e rosa, rolete de cana caiana, pipoca de milho doce e salgado, amendoim torrado e castanha de caju, bala de café, mariola e fubá, chiclete de bola, picolé de mangaba, balões de gás - sucesso na época que apareceu por aqui - bolas de soprar de todas as formas e tamanhos, brinquedos artesanais feitos de madeira como o mané gostoso. Bons tempos que não voltam mais, tendo ficado registrado na lembrança e na saudade dos que viveram o Aracaju antigo. Muitos anos depois quiseram reviver esta mesma Feirinha no Parque da Sementeira, mas não vingou. Os tempos são outros, as crianças hoje querem é videogame e com certeza diriam que o Carrossel do Tobias era devagar demais.
Armando Maynard

terça-feira, 8 de julho de 2008

Afetividade Animal

Por uma Educação Artesanal

Escola, escola, escola... sou estudante, sou educadora, sou mãe...
Como educadora procuro exercer minha profissão segundo minhas convicções que insistem em não me deixar esquecer que cada criança é única e necessita ser respeitada e estimulada de acordo com o seu processo de desenvolvimento seja ele natural ou prejudicado por fatores diversos.
Como mãe sofro por perceber que alguns professores não pensam exatamente dessa forma.
Sei das dificuldades da inclusão e da luta dos pais que não se acomodam diante das adversidades encontradas ao longo do percurso.
Mas percebo que não é apenas a criança com deficiência que sofre. Sofre também a criança hiperativa, sofre a criança que é tida como imatura, sofre a criança tímida, a insegura, a que tem alguma dificuldade de aprendizagem...Enfim, sofrem todos os que de uma forma ou de outra diferem da maioria, não se encaixam na forma... porque a escola, affff!!!!! A escola ainda não consegue trabalhar com as diferenças. Será que um dia conseguirá?
O problema é que em algumas escolas (ou seria a maioria?) usa-se apenas um tipo de forma, inclusive no tamanho. Alguns ficam espremidos, apertados, sufocados, pobres coitados!!! Magrinhos, gordinhos, baixinhos ou mais altos, todos, sem excessão precisam caber nela, não existe outra opção. Escolas falidas, fadadas ao fracasso por falta de formas.
No preparo da massa, os mesmos ingredientes e nas mesmas quantidades, sempre...O ritual, repetido exaustivamente, tudo muito previsível e friamente calculado. Se ocorre um imprevisto: o dia mais quente, a massa cresce mais rápido...ou, dia mais frio e a massa demora a crescer, seja o que Deus quiser...
As vezes quando percebe-se que a massa não está a contento, pode-se repetir o processo, quantas vezes isso se fizer necessário, ainda que os procedimentos sejam exatamente os mesmos. Algumas vezes, ela não passa nos testes de qualidade e é reprovada.
Tal qual numa linha de montagem a igualdade dos objetos finais é a prova da qualidade do processo. Produção em série e controle de qualidade, são as metas desse modelo. Os produtos que não se encaixam nesse padrão são descartados ao longo do processo. Alguns são banidos logo na primeira seleção.
Os operários? Ah! não são eles os únicos responsáveis. Sobrecarga de trabalho, caixas e mais caixas de produtos empilhados (ou seria enfileirados?) na sua frente, os salários baixos muitas vezes obrigam-nos a ter que trabalhar em várias fábricas!
Enquanto isso continuamos sonhando com uma educação mais artesanal, onde cada obra, ainda que haja a intenção de torná-la igual sempre acabará ganhando um toque especial que a diferencia da original...Com o dia em que pudermos ajudar a modelar cada uma dessas esculturas que passam pelas nossas mãos e vê-las como obras únicas e especiais.
Antes talvez, o educador precise auto-esculpir-se, conscientizar-se da sua responsabilidade, refazer sua dignidade e encontrar seu valor.
Postado originalmente no http://sobreeducacao.blogspot.com/

sábado, 5 de julho de 2008

Cine Rio Branco


O Cine Rio Branco ficava no segundo trecho da Rua João Pessoa, hoje calçadão, no centro da cidade de Aracaju/SE. Foi inaugurado em 1913. Era um dos mais antigos cinemas do Brasil. Antes chamava-se Teatro Carlos Gomes, depois passou a ser denominado Cine Teatro Rio Branco e, após alguns anos, ficou somente Cine Rio Branco. Era de propriedade do Sr. Juca Barreto. Foi tombado pelo patrimônio histórico e depois “destombado”, coisas de Sergipe. Demolido sob protesto da classe intelectual sergipana, hoje funciona no local uma loja de tecidos. No século passado grandes artistas como Procópio Ferreira , Bidu Sayão, Tito Shipa e muitos outros se apresentaram em seu palco. Suas visitas ficavam registradas através de placas de mármore afixadas em suas paredes. Na década de 80, quando o cinema estava arrendado e já em total decadência, só exibia filmes pornôs. Era o único cinema da cidade a possuir duas cortinas, uma vermelha de veludo, afastada da tela e outra branca e fina encostada na tela. Esta mesma tela era de formato cinemascope, muito grande, e côncava, detalhe este ressaltado quando da divulgação de filmes, pelo carro de propaganda, ao anunciar pelas ruas da cidade: “ Assista hoje na tela côncava e cinemascope do Cine Rio Branco, o filme Suplício de Uma Saudade” (1955). Houve época em que a programação do Rio Branco era uma das melhores da cidade, superando de longe a dos outros cinemas. Lembremos alguns filmes : O Manto Sagrado - 1953 (filme que lançou mundialmente o formato cinemascope), A Volta ao Mundo Em 80 Dias - 1956 (cuja música tema era usada como prefixo do cinema), A Ponte do Rio Kwai (1957), Os Canhões de Navarone (1961), El Cid (1961), Lawrence da Arábia (1962), Cleópatra (1963), sendo este um dos filmes mais longos desta época, com quatro horas de duração. Pensem, assistir este filme, à tarde, em um cinema do lado do sol, sem ar condicionado. Tempos que para ver um bom filme, você tinha que suar a camisa literalmente. Um fato curioso aconteceu durante uma sessão: um espectador sentiu um cheiro de queimado, e gritou que estava havendo um incêndio. Correria total, pé na porta (que dava para a rua) para que a mesma se abrisse. Mas foi alarme falso, e aí voltaram todos e mais alguns transeuntes que iam passando na hora, e aproveitaram para entrar de graça no cinema. Um dos primeiros avisos que a sessão já ia começar, era quando acendiam-se as luzes da sala e o funcionário começava a fechar as portas laterais. Este mesmo funcionário era encarregado de pintar coloridos painéis, os quais eram ilustrados com fotos e cartazes dos filmes, e ficavam expostos próximos ao cinema, ao lado da Igreja de São Salvador, na Rua João Pessoa.
Armando Maynard

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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Saudades do Cine Palace (7)


Quando do lançamento de um filme, em salas de cinema, alguns materiais são usados para sua divulgação, como : trailer, fotos ( hoje em desuso, usa-se mais os grandes painéis de papelão com suportes para que fiquem em pé, expostos nas salas de espera ou nos corredores dos Shoppings), banners, spots para rádios e tvs, mas o que sempre foi, e até hoje continua sendo adotado pelos multiplexes de shoppings, são os cartazes ou posters, que são usados também em facsimile, para publicidade em jornais e revistas. O cartaz, é uma peça que tem valor artístico reconhecido, que hoje é motivo de exposições em galerias, sendo também uma grande referência do filme, ficando na memória do espectador. Os cartazes, dependendo da autorização dos produtores do filme e por força de lei de cada país que o filme será exibido, ganha características próprias , sendo as vezes totalmente modificados. No Cine Palace na parede externa da sala de exibição, que ficava pela Travessa Benjamin Constant, havia três dispositivos grandes, embutidos na parede,com porta de vidro, para colocar cartazes/posters, dentro do padrão da época. Alguns que ficaram na memória; E o Vento Levou...(1939), quando reprisado , Sete Noivas para Sete Irmãos (1954) - filme que inaugurou o cinema e que foi posteriormente reprisado, A Face Oculta (1961), E T – O Extra Terrestre (1982), Amadeus (1984) e O Último Imperador(1987).
Armando Maynard

Cadê a Cadeira de Balanço da Vovó? (os tempos são outros... e elas também!!!)

A expectativa de vida vem aumentando de forma surpeendente. Gostando ou não a maioria de nós vai viver mais do que os nossos pais viveram. Segundo o IBGE, esta realidade não é um fenômeno nacional, mas uma tendência mundial. Em todo o mundo, a esperança de vida aumentou 19 anos entre 1950 e os dias de hoje. Em 2050, a população de idosos deve atingir 2 bilhões, ou quase 25% da população do planeta. Na verdade, esta é uma boa ou má notícia? A resposta é um quebra-cabeças e varia de pessoa para pessoa. Cabe a cada um de nós decidir. Pode ser uma má notícia. Péssima mesmo, se nos condenarmos a envelhecer e, deprimidos, sozinhos e sem vitalidade, ficarmos esperando os últimos dias. Pode ser uma excelente notícia. Como? A idade nos traz conhecimentos e experiências acumulados, que dão liberdade para escolher nosso próprio caminho, fixar as próprias regras, nos permitem lidar com os acidentes da vida sem impulsividade, sem sentimentos desgovernados, sem passividade, culpa ou rancor. Temos tempo para cuidar de nós mesmos, para criar e colocar em prática, projetos e sonhos, com a coragem e confiança que só a idade garante. Mudar hábitos de alimentação, deixar de fumar, fazer exercícios físicos regulares, colocar em prática alguns projetos de vida, dançar, viajar, passear, por que não? Podem não ser o elixir da juventude, mas, seguramente, trazem mais bem estar e qualidade de vida. Em consequência, afloram os benefícios da interação social e a descoberta de novos amigos, com interesses comuns e mesmos desafios diante da vida. Mas... e onde estão as vovós? A gente não está encontrando mesmo, porque elas mantém uma rede de amigos e estão tomando sol numa praia... ou consultando a internet para satisfazer qualquer que seja a curiosidade. Elas não acreditam na obrigação do envelhecer, vivem no presente e tem planos para o futuro. E curtem saber que vem muito mais pela frente do que o que ficou para trás, que vale a pena investir em seu bem-estar e podem "chegar aos 100" com saúde e entusiasmo diante da vida, graças a Deus e às novas formas de pensar.
Lygia Prudente

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Delírios... ou Retrocesso da Humanização?

Nunca foi tão fácil ter acesso às informações em tão pouco tempo. Evidentemente, tudo isso advém das transformações de ordem política e econômica mundial que, nos últimos tempos, vem acontecendo, favorecendo a integração dos mercados numa "aldeia-global", explorada pelas grandes corporações internacionais. Há, incontestavelmente, uma uniformização das informações - provocada pela crescente popularização dos canais de TV por assinatura e pela internet - fazendo com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e incidam numa certa homogeneização cultural entre os países. As facilidades na comunicação e nos transportes, favorecem a instalação de fábricas, pelas transnacionais, em qualquer lugar do mundo, onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Por conta disso, a concorrência internacional tem, a meu ver, obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os seus produtos, o que vem eliminando vários postos de trabalho, em consequência da automação de vários setores, em substituição à mão-de-obra humana. Sabe-se, porém, que milhares de empregos são extintos, e, no entanto, criam-se outros pontos de trabalho e novas oportunidades surgem a exemplo da área de informática. Todavia, é bom ressaltar, essa nova demanda dificilmente absorverá os excluídos, considerando que os empregos emergentes exigem um alto grau de qualificação profissional. Consequentemente... raciocinemos juntos: o desemprego tende a se concentrar nas camadas menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação. É impossível não se constatar que no mundo internacionalizado o que mais há é desemprego. E quem fica à margem do crescimento e das oportunidades, está condenado ao atraso e à miséria. O sistema de globalização tomou vulto produzindo coisas supostamente boas e baratas, vendidas numa escala planetária, fabricadas em grande parte por robôs. Todavia, para desencanto de uma grande maioria da população, o fato de todo este processo de transformação provocar a extinção de empregos e redução do poder de compra de assalariados, não haverá muito quem possa comprar a tal produção fantástica de reluzentes carros e computadores multimídia. Outro aspecto negativo embutido no processo de globalização, refere-se ao desaparecimento das fronteiras nacionais, provocando um descontrole sobre a política econômica interna, repercutindo, direta ou indiretamente no emprego e na renda do assalariado. Portanto, as minhas colocações fundamentaram-se em leituras e acompanhamento dos acontecimentos diários que mostram claramente que o processo de globalização em marcha, acabou com os limites geográficos, inegavelmente, mas não eliminou a fome, a miséria e os problemas políticos de milhões de globalizados, até porque há uma saturação do modelo desenvolvimentista atual, pelo fato de não atender às necessidades da população de baixa renda e por não proporcionar a elas, condições mínimas de dignidade e de decente sobrevivência.
Lygia Prudente

terça-feira, 1 de julho de 2008

Gazeta de Sergipe


O Jornal de seu Orlando, o homem do terno de linho branco. A Gazeta de Sergipe foi criada pelo idealista Orlando Dantas em 1956, com o nome primeiro de Gazeta Socialista. Funcionava na popularmente conhecida Rua da Frente, ou seja, Av. Rio Branco, providencialmente, em frente ao Bar do Pinto, onde reunia-se a turma do jornal, que, entre uma cerveja e outra, pautavam as reportagens. A nata do jornalismo sergipano trabalhava na Gazeta, como Luiz Carlos Barreto – clicherista e fotógrafo, João Oliva Alves, Luiz Antonio Barreto, Pascoal Maynard, José Rosa, Ancelmo Góes, José Carlos Monteiro, Ivan Valença, Nino Porto, Diógenes Brayner, Ezequiel Monteiro, Alberto Carvalho, Fernando Maynard como revisor, Gilvan Manoel, Rita Oliveira, Cláudio Nunes, Paulo Brandão - neto de Orlando - e seu último diretor, Eronildes Nogueira, seu contador e gerente e Sebastião Chagas - o Lelê. Contava com colaboradores como Paulo Fernando Teles de Morais, Petrônio Gomes e Acrísio Torres. Nos tempos áureos da Gazeta, foram empreendidas várias campanhas, como O Petróleo é Nosso, pelo Porto de Sergipe e na da defesa de nossos minérios. Na época da revolução, por causa do seu conteúdo, editores e jornalistas eram chamados ao Exército para prestar explicações sobre as matérias. A segunda página do jornal era da dupla Zózimo Lima, com sua coluna Variações em Fá Sustenido e a Coluna de Ariosvaldo Figueiredo, dois intelectuais de peso, que engrandeciam o jornal. No meio da página, os Grandes Editoriais davam verdadeiras aulas de ética e política. Na quarta página o Informe GS, coluna de Nino Porto, trazia notas políticas com pitadas de bom humor. A Coluna Social com Lânia Duarte, Clara Angélica, Luiz Adelmo e, depois, Pedrito Barreto, contava os fatos da sociedade, enquanto a coluna de cinema de Ivan Valença relatava os festivais, como o de Cannes, ao qual compareceu. Diógenes Brayner com sua excelente coluna de análise política. E na últma página grande cobertura esportiva. Aos domingos havia o suplemento Gazetinha. O noticiário local era muito completo. Suas Grandes Reportagens na área policial acompanhava os crimes até a sua elucidação. Dois exemplos foram os crimes de Carlos Werneck, assassinado pelo sapateiro La Conga e do médico Carlos Firpo, casado com Dona Milena Mandarino. Na época das campanhas eleitorais, havia ferrenha disputa entre a Rádio Liberdade e a Gazeta de Sergipe. Quando deixou de circular, a Gazeta fez muita falta, ficando um vazio enorme, pois não tinha, na cidade, um jornal com a coragem e independência que eram a sua marca registrada. A Gazeta de Sergipe sempre fora um jornal combativo e ideologicamente comprometido com os problemas sociais, que afetam, até hoje, os pobres Sergipanos.
Armando Maynard

sábado, 28 de junho de 2008

Instrumento de Compreensão do Mundo

A palavra escrita é, mais do que nunca, o principal instrumento que possibilita a compreensão do mundo, através da reflexão e da interpretação. Muito se tem falado e discutido sobre o fato de ser este um país onde pouco se lê e os nossos jovens não lêem. Em geral, o problema tem início bem antes, anos atrás, já que o hábito e o prazer de ler devem ser semeados bem cedo, quando ainda somos bebês. O contato com os livros e a literatura surge de maneira espontânea e lúdica e o hábito se instala pelo simples prazer. Assim, como os brinquedos vão cumprindo funções diferenciadas no desenvolvimento humano, os livros vão conquistando o seu espaço e a criança começa a buscar por eles e seus personagens. O livro propicia uma viagem, a ampliação do vocabulário, a clareza do universo vivido. É importante frisar o papel dos pais nesse desenvolvimento cognitivo, considerando-se que, na infância, é evidente a imitação do comportamento adulto. Pais que costumam ler jornais, revistas e livros, fornecem aos filhos o relevante modelo, fazendo-os enveredar no mundo da leitura. Obviamente, a falta de estímulos durante as etapas do desenvolvimento, culmina no fato do jovem trazer um desinteresse pela leitura. Há um aspecto que precisa ser enfatizado: o simples prazer de ler não garante a compreensão do conteúdo apresentado. À escola cabe a tarefa de auxiliar e orientar na interpretação do texto, levando o jovem a perceber o poder da escrita que dá vida e sentido às coisas. É encarando a leitura sob o enfoque da descoberta do sentido que estaremos possibilitando a formação de leitores críticos, tão imprescindíveis no mundo de hoje.
Lygia Prudente