sábado, 5 de julho de 2008

Cine Rio Branco


O Cine Rio Branco ficava no segundo trecho da Rua João Pessoa, hoje calçadão, no centro da cidade de Aracaju/SE. Foi inaugurado em 1913. Era um dos mais antigos cinemas do Brasil. Antes chamava-se Teatro Carlos Gomes, depois passou a ser denominado Cine Teatro Rio Branco e, após alguns anos, ficou somente Cine Rio Branco. Era de propriedade do Sr. Juca Barreto. Foi tombado pelo patrimônio histórico e depois “destombado”, coisas de Sergipe. Demolido sob protesto da classe intelectual sergipana, hoje funciona no local uma loja de tecidos. No século passado grandes artistas como Procópio Ferreira , Bidu Sayão, Tito Shipa e muitos outros se apresentaram em seu palco. Suas visitas ficavam registradas através de placas de mármore afixadas em suas paredes. Na década de 80, quando o cinema estava arrendado e já em total decadência, só exibia filmes pornôs. Era o único cinema da cidade a possuir duas cortinas, uma vermelha de veludo, afastada da tela e outra branca e fina encostada na tela. Esta mesma tela era de formato cinemascope, muito grande, e côncava, detalhe este ressaltado quando da divulgação de filmes, pelo carro de propaganda, ao anunciar pelas ruas da cidade: “ Assista hoje na tela côncava e cinemascope do Cine Rio Branco, o filme Suplício de Uma Saudade” (1955). Houve época em que a programação do Rio Branco era uma das melhores da cidade, superando de longe a dos outros cinemas. Lembremos alguns filmes : O Manto Sagrado - 1953 (filme que lançou mundialmente o formato cinemascope), A Volta ao Mundo Em 80 Dias - 1956 (cuja música tema era usada como prefixo do cinema), A Ponte do Rio Kwai (1957), Os Canhões de Navarone (1961), El Cid (1961), Lawrence da Arábia (1962), Cleópatra (1963), sendo este um dos filmes mais longos desta época, com quatro horas de duração. Pensem, assistir este filme, à tarde, em um cinema do lado do sol, sem ar condicionado. Tempos que para ver um bom filme, você tinha que suar a camisa literalmente. Um fato curioso aconteceu durante uma sessão: um espectador sentiu um cheiro de queimado, e gritou que estava havendo um incêndio. Correria total, pé na porta (que dava para a rua) para que a mesma se abrisse. Mas foi alarme falso, e aí voltaram todos e mais alguns transeuntes que iam passando na hora, e aproveitaram para entrar de graça no cinema. Um dos primeiros avisos que a sessão já ia começar, era quando acendiam-se as luzes da sala e o funcionário começava a fechar as portas laterais. Este mesmo funcionário era encarregado de pintar coloridos painéis, os quais eram ilustrados com fotos e cartazes dos filmes, e ficavam expostos próximos ao cinema, ao lado da Igreja de São Salvador, na Rua João Pessoa.
Armando Maynard

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3 comentários:

Guilherme disse...

Muito bom o seu blog, um verdadeiro resgate a nossa História. Parabéns! Guilherme Teles http://professorteles.blog.emsergipe.com/

Lygia Prudente disse...

Comentário recebido através de e-mail, em 04 de maio de 2010:

"Olá Lygia
Meu nome é Ricardo Barreto, sou sobrinho de Juca Barreto e filho mais novo de Paulo Barreto.
O empregado do cinema a quem Armando Maynard se refere no texto, como responsável pelo fechamento das portas laterais do cinema se chamava "Almofadinha".
Não era ele que pintava as "tabuletas",como eram chamadas, mas o meu pai, Paulo Barreto, que nas horas vagas, geralmente pela manhã, naquele espaço externo no fundo do cinema passava horas pintando.Meu pai era poeta, teatrólogo e cronista.Muitas peças por ele escritas e dirigidas, foram encenadas no Rio Branco quando ainda tinha palco.Faleceu em 10/05/1990, aos 79 anos.Os jarnais de Aracaju publicaram várias homenagens no dia seguinte ao seu falecimento.

Abraços

Ricardo"

Andreza Maynard disse...
Este comentário foi removido pelo autor.