
foto e texto de Armando Maynard

foto e texto de Armando Maynard
Cresci entre possibilidades de cultura que hoje me vanglorio de tê-las vivenciado: meus pais tinham o hábito da leitura e cultuavam a música. Numa salinha de estar embaixo da escada que levava ao pavimento superior, uma estante relativamente grande compunha o ambiente, altiva e imponente, numa demonstração de que tudo pode pelo que tudo sabe, considerando as histórias e as informações das quais era detentora através dos pesados volumes de imaginação que o seu esqueleto sustentava. Assim, com a curiosidade aguçada pela formação recebida e pelos exemplos que me norteavam, comecei, na adolescência, a buscar leituras mais consistentes como As Duas Mães, Éramos Seis, Os Irmãos Karamazov, e outros tantos volumes pesados e carregados de emoção. As leituras, na minha casa, eram embaladas, sempre, pela música, nos seus diversos estilos, desde a clássica à MPB. A minha mãe deleitava-se ao piano – tocava muito bem – a impregnar sutilmente nos filhos, o gosto musical apurado, que marcou a nossa vida para todo o sempre, até porque a perdemos muito prematuramente. Talvez isso tenha nos transformado em fãs incondicionais do ritmo e da melodia, muito embora, sem aprofundamento técnico algum. Adotamos a música como companheira, não só nos momentos de alegria e de comemorações, mas, e, principalmente, de reflexões, de planejamento, enfim, efetivamente companheira. Tentando seguir os passos da pianista da família, estive por algum tempo lidando com a teoria e a prática, familiarizando-me com este instrumento mágico, capaz de produzir sons que enlevam. Talvez a falta de propósito, estava eu na adolescência, fez-me desistir de tal projeto, infelizmente, digo hoje. Nem isso fez com que eu afastasse a música de mim. Ao contrário, tenho um gosto musical eclético e as escolhas variam conforme o momento. Se estou escrevendo, prefiro a música instrumental – “Certas Coisas” de Milton Guedes, é o meu preferido. Traz músicas muito boas que ajudam a inspiração, como Smooth Operator, Roxanne, Ain’ t No Sunshine e outras. Se ocupada com alguma tarefa mais mecânica, prefiro a MPB, momentos que me fizeram descobrir um estilo de música mais nosso, como Avôhai de Zé Ramalho, excêntrico, tipo Zeca Baleiro, cujo conteúdo das letras são fortes, satirizam, a exemplo do Samba do Approach, que brinca com a questão do estrangeirismo, tão sério e já enraizado nos nossos costumes. As minhas peças para Teatro de Bonecos, essencialmente de cunho didático ( sobre fraseologia popular, diversidade cultural, etc.), são sempre enriquecidas com músicas como a de João Bosco, No Tabuleiro da Baiana, para enfocar as nossas raízes, os nosso costumes. Tem coisa mais prazerosa do que aprender com fantoches e cantando as nossas “coisas”? Pois é... a música consegue nos reenergizar e purificar o nosso dia. Eu tive a sorte de descobrir que isso tem fundamento. Acreditem. E para deleite de todos nós, Luiz Bonfá toca a sua arte. Assistam!
Difícil é passar por uma e não entrar. Tudo começou com a Bomboniére Chic, administrada pelo saudoso Moacir, pessoa afável e educada. Ficava na Rua Laranjeiras, anexa ao Ponto Chic, (na época, famoso restaurante da cidade, onde hoje funciona a Delegacia do Ministério do Trabalho, na esquina com a Rua João Pessoa). Depois mudou-se para o primeiro trecho da Rua João Pessoa, no Calçadão, transferindo-se em seguida para a Rua Itabaiana, onde permaneceu até o seu fechamento. Considerada o ponto de encontro dos amantes da leitura, políticos e intelectuais, tinha sua maior frequência por volta das 16:30 h., quando chegavam os jornais do sul do país – isto quando não extraviavam, só chegando no outro dia. Nessa época o jornal de maior circulação era o Jornal do Brasil, acompanhado de O Globo e O Estado de S.Paulo e, por ocasião das diretas já, da Folha de S. Paulo, que começou a ter destaque no cenário editorial, pelo seu engajamento político, chegando a concorrer com o Jornal do Brasil em termos de aceitação. Um dos habitués da Chic era o Professor “Zé” Cruz, intelectual, muito conhecido dos Sergipanos, que dizia jamais fazer assinatura de um jornal, pois o prazer estava em ir pessoalmente pegar seu exemplar na Chic. Lá também poder-se-ia encontrar Erotildes, que brincava com quem comprava dois jornais, a Folha e o JB, e perguntava “como você vai ler tudo isso?”. Das revistas semanais da época, destacava-se O Cruzeiro já em seus últimos dias, massacrada pela sua concorrente imediata a revista Manchete, em seu auge, pois com a TV ainda precária e em preto e branco, o Sergipano via o Brasil e o Mundo pela Manchete, com suas fotos grandes e coloridas. Nas famílias, quando o pai chegava em casa com a revista, era uma disputa para ver quem ia ler primeiro. Por ocasião do carnaval era editada a Manchete Especial que fazia a alegria dos patriarcas da época, para ciúme das recatadas e pudicas esposas de nossa querida “barbosópoles”. Em 1968 surgia a revista semanal de texto - como era chamada - a Veja, que viria forçar o fim da revista Visão. Depois, outras surgiram como a Isto É e Afinal. Também se destacavam a Senhor e a Revista Geográfica Universal. Nesta época, uma revista de grande sucesso junto aos leitores foi Realidade, várias vezes apreendida pela censura, por ousadia de suas reportagens. Outra que sofreu muito com a falta de liberdade de expressão foi a Ele & Ela, revista de nus femininos, voltada para o público masculino, mas com textos muito bons sobre costumes e comportamento, educando muitos jovens em sua iniciação sexual, papel hoje feito pelas revistas voltadas ao público feminino, a exemplo da Cláudia. Na chic, pela manhã, encontrávamos os jornais locais: Gazeta de Sergipe de Orlando Dantas, Diário de Aracaju de Assis Chateaubriand, A Cruzada da Arquidiocese, Jornal da Semana de Hugo Costa, Tribuna de Aracaju de Ribeirinho, Jornal de Sergipe de Nazário Pimentel. Todas as bancas e lojas que vendiam revistas e jornais localizavam-se no centro da cidade, com a exceção da banca do Mini - Golfe. No centro, destacava-se a banca de Roberto que ficava em frente à Ponte do Imperador, sendo aos domingos ponto de encontro de amigos, mudando-se depois para a Pça. Fausto Cardoso. A Banca do Coelho, ficava em frente ao Cine Palace, na Rua João Pessoa, já Calçadão, pois quando da construção do mesmo, foram instaladas três bancas em cada trecho, todas padronizadas e feitas de vidro blindex. Uma banca muito visitada era a que ficava ao lado da Igreja São Salvador. Existia uma loja de revistas na rua Itabaianinha, próximo ao Cinema Vitória, que fazia parte do programa, ir ao cinema e na volta passar na mesma. Em formato de corredor, as revistas eram empilhadas, facilitando muito a escolha e manuseio. Surgiram depois as bancas da Livraria Regina, espaçosas e organizadas, que se espalharam por todo o centro. A mais famosa era a que ficava na Rua Laranjeiras, chegando à Rua da Frente. Nessa época as coleções de fascículos eram uma febre,como “A História do Século 20” e a “Enciclopédia Universo”, que, depois de completadas a coleção, eram entregues lá mesmo para encadernar. Hoje, as bancas encontram-se espalhadas por toda a cidade, oferecendo grande diversidade de editoras e revistas segmentadas, apesar da redução das tiragens, causadas pela opção da internet, forçando-as à uma adaptação ao novo tempo sem, contudo, deixar de exercer o fascínio ante o prazer de uma boa leitura.
Armando Maynard
Escola, escola, escola... sou estudante, sou educadora, sou mãe...

A expectativa de vida vem aumentando de forma surpeendente. Gostando ou não a maioria de nós vai viver mais do que os nossos pais viveram. Segundo o IBGE, esta realidade não é um fenômeno nacional, mas uma tendência mundial. Em todo o mundo, a esperança de vida aumentou 19 anos entre 1950 e os dias de hoje. Em 2050, a população de idosos deve atingir 2 bilhões, ou quase 25% da população do planeta. Na verdade, esta é uma boa ou má notícia? A resposta é um quebra-cabeças e varia de pessoa para pessoa. Cabe a cada um de nós decidir. Pode ser uma má notícia. Péssima mesmo, se nos condenarmos a envelhecer e, deprimidos, sozinhos e sem vitalidade, ficarmos esperando os últimos dias. Pode ser uma excelente notícia. Como? A idade nos traz conhecimentos e experiências acumulados, que dão liberdade para escolher nosso próprio caminho, fixar as próprias regras, nos permitem lidar com os acidentes da vida sem impulsividade, sem sentimentos desgovernados, sem passividade, culpa ou rancor. Temos tempo para cuidar de nós mesmos, para criar e colocar em prática, projetos e sonhos, com a coragem e confiança que só a idade garante. Mudar hábitos de alimentação, deixar de fumar, fazer exercícios físicos regulares, colocar em prática alguns projetos de vida, dançar, viajar, passear, por que não? Podem não ser o elixir da juventude, mas, seguramente, trazem mais bem estar e qualidade de vida. Em consequência, afloram os benefícios da interação social e a descoberta de novos amigos, com interesses comuns e mesmos desafios diante da vida. Mas... e onde estão as vovós? A gente não está encontrando mesmo, porque elas mantém uma rede de amigos e estão tomando sol numa praia... ou consultando a internet para satisfazer qualquer que seja a curiosidade. Elas não acreditam na obrigação do envelhecer, vivem no presente e tem planos para o futuro. E curtem saber que vem muito mais pela frente do que o que ficou para trás, que vale a pena investir em seu bem-estar e podem "chegar aos 100" com saúde e entusiasmo diante da vida, graças a Deus e às novas formas de pensar.
