sábado, 24 de maio de 2008

SAUDADES DO CINE PALACE

O RITUAL MÁGICO E SAUDOSO DA SESSÃO DO CINE PALACE, NOS ANOS 60.

Ao som do prefixo musical "Ebb Tide" (Maré Baixa), algumas luzes da sala diminuiam a sua luminosidade gradativamente e outras, apagavam-se, permanecendo somente a tela iluminada com as luzes brancas. Soavam então, as três badaladas do gongo eletrônico. Todos ficavam em silêncio e, no palco, começava o jogo de luzes: para cada badalada, acendiam-se, dos dois lados do pequeno palco, fachos de luz nas cores verde, azul e, por último, vermelha, que iluminavam toda a tela. Havia uma fileira de lâmpadas, também vermelhas, na frente da mesma. Iniciava-se a projeção : primeiro, o Cine-Jornal. Lentamente, a cortina motorizada (acionada pelo projecionista na cabine), abria-se, de forma a permitir a projeção do Jornal. Já se podia visualizar, na tela, o Certificado de Censura. Só nesse momento, apagavam-se as luzes vermelhas, e a música do prefixo silenciava. Após a exibição dos traillers, quando do início do filme, abria-se mais a cortina, de acordo com o formato do mesmo: vistavision (adaptado) ou cinemascope. A abertura do ascope era feita lentamente, abrindo a lente aos poucos até ocupar toda a tela. Quando o filme dava mostras de que já ia terminar, e antes de surgir na tela o The End, as luzes vermelhas voltavam a ficar acesas, seguidas das luzes brancas do palco, e, finalmente, toda a sala ficava iluminada, quando a cortina fechava-se, lentamente, ao som da música Afrikaan Beat.
Armando Maynard

3 comentários:

tela disse...

Amigo Armando.
Sou saudosista por exelência, o comentário sôbre o cine palace me trasnportou aos grandes clássicos do cinema das décadas de 40,50,e 60.
A música "ebb tide" de Carl Sigman/Robert Maxwell, acredito tenha sido por vários anos uma espécie de tema de abertura para todos os cinemas.
Tenho a versão original.

tela disse...

gostei muito do blog Portfólio,vamos conclamar as pessoas, coloco meus programas da rádio jornal à disposição para divulgação do referido blog.
Abraços de Ludwig Oliveira.

cabasafado disse...

Prezado Maynard, foi uma grata surpresa seus comentarios. Os mesmos me remeteram, com saudades, para as lembranças de minha infancia em Barra do Pirai (interior do RJ), qdo o comportamento de muitos jovens espectadores aqui em Aracaju eram identicos aos que faziamos nas sessoes de cinema na minha cidade.