quarta-feira, 4 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher (2)


Nesse mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, impossível não falar de três mulheres que exerceram papel preponderante na minha vida: Lucila, Maria de Lourdes e Maria Aliva, avó, mãe e sogra, respectivamente. As três traziam no âmago características de fortaleza, sendo sempre mulheres de fibra, submetidas à duras provas, durante a vida terrena e cujos ensinamentos norteiam, ainda hoje, o caminhar dos seus privilegiados herdeiros. A minha avó Lucila, explícita na expressão da palavra, muito transparente, comunicativa, de personalidade marcante, uma líder inata, teve sob o seu comando uma família de sete filhos, seguidores dos seus ensinamentos. Exerceu seu papel de mãe e de mulher, trabalhando e assim contribuindo para a manutenção da família. Com o meu avô, foi dona de farmácia, de armazém, mostrando-se disposta a quebrar paradigmas, numa época em que a mulher estava confinada à viver em casa e para a casa, à cuidar somente da família. Maria de Lourdes – a minha mãe, herdou da minha avó essa firmeza de propósitos sem, contudo, perder a meiguice. Junto com o meu pai, trabalhou nos Correios e Telégrafos, chegando a exercer cargos de direção, com louvor, considerando o respeito com que era citada pelos colegas. Teve sob a sua tutela, quatro filhos – eu e mais três homens. Trazia consigo um problema cardíaco congênito, gravemente aflorado a partir de um fato trágico nas nossas vidas: o seu filho mais novo, aos sete meses de idade, morreu em decorrência de um incêndio, na calada da noite, no quarto onde dormia, ocasionado por um curto-circuito. Daí por diante, a alegria que a caracterizava, quer no dia-a-dia em família, quer nas reuniões comemorativas, desapareceu e assim, treze anos depois, ela nos deixou atendendo aos desígnios de Deus. Eu estava com 18 anos e, agora, única mulher da casa, procurando seguir seus exemplos, pautei a minha vida a partir de então. Casei dois anos depois do seu falecimento e encontrei na minha sogra, Maria Aliva - a terceira das mulheres em pauta, uma outra mãe. Essa era a docilidade em pessoa, e, quando necessário, se recobria de toda a força na defesa dos seus (esposo, duas filhas e um filho). Era uma doceira fina, como fina também era a sua educação. Carinhosa com os netos, fazia-lhes sempre as vontades, não relutando em atender a um pedido nosso, para o que se desdobrava, sempre solícita e bem-humorada. A sua colaboração foi ímpar na criação dos meus filhos, tendo sido, merecidamente, muito amada por todos nós. O nosso convívio foi sempre salutar e construtivo. Como não havia mais a presença física da minha mãe, dediquei-me a ela com a ânsia natural de amparo materno e fui muito bem acolhida. Partilhamos bons e, infelizmente, maus momentos também. Essas mulheres, exemplos que ficaram arraigados na nossa formação, deixaram marcas e hoje, carregamos no coração, as sementes da harmonia e a certeza dos seus ensinamentos, herança de inestimável valor. Onde estiverem, sintam-se homenageadas nesta Semana da Mulher.
Lygia Prudente

8 comentários:

lpzinho disse...

Olá Lygia!
Cá estou novamente comentando no seu IMPORTANTE blog!
Bonitas as tuas palavras. Como é bacana ver gente de verdade que tem histórias e se orgulha delas. De passagem conto que neste final de semana aqui ao lado, na vizinhança ocorreu um acidente com o chefe de uma familia. Ele desde cedo dado a atos e rompantes de machismo e pancadaria... E sempre devidamente calibrado pelo alcool. Pois bem, enquanto almoçávamos, transeuntes tocaram a campainha pedindo auxílio. Os vizinhos do outro lado, os passantes e nós chamamos resgate e tentamos ajudar. A familia dele não estava. Chegaram qdo a ambulância já fazia o socorro. Mãe e filha chegaram e com má vontade comentavam em voz alta que 'fulano' não tem mais jeito entre outras palavras ácidas.
Só Deus sabe o q elas apanharam ou passaram em quatro paredes, mas é este o ponto que eu gostaria de tocar. Tanta gente neste mundo e em especial por aqui tem histórias acidentadas onde violência e ruptura são mais frequentes do que abraços, palavras doces e amor.
Com certeza até o mais feliz dos lares deve ter seus momentos tensos e de reflexões... mas é impressionante como a tua história de vida é bonita, como tb posso dizer que tem sido a minha porém é cada vz maior o número de casos que a gente vê onde triunfa o desamor e a falta de harmonia.
Acho que isso tem jeito. E que é através da MULHER que a transformação acontecerá.
Enfim.. estou divagando demais hoje! Perdoe e releve! Gostei de ler no post passado sobre sua atividade... sempre tive alguma ligação com a educação. Durante mtos anos dei aulas e hj tento implantar um projeto de ensino para garotas =) Sucesso por ai e parabéns pelo blog!
Amanhã tem mais texto sobre o DIM né?? Bjo

Guilherme disse...

Mãe, também passei por aqui para deixar um comentário (emocionado).
Infelizmente não posso comentar sobre as duas primeiras (bisavó e avó respectivamente), porém, não posso deixar de registrar algumas coisas:
Sobre o incêndio que culminou no falecimento do seu irmão acho relevante contar que ele se chamava GUILHERME e que, motivada por isso, você me presenteou com o mesmo nome.
Quanto à vovó Aliva, que saudades !!! Lembro de tantas coisas...
Ficar a maioria do tempo na casa dela, das brincadeiras na escada que levava ao piso superior, de quando ela fazia do meu almoço bolinhos com a mão para me fazer comer e é claro, das raspadas de panela nos doces maravilhosos. Dormir com ela no mesmo quarto (rezar antes) era muito legal (paz e segurança).
Uma artista de primeira, não somente nas goloseimas, mas nas impressionantes colchas que ela fazia com retalhos (não sei como se chama).
Realmente uma grande mulher !!!!
Estava com ela quando o meu avô Armando caiu no banheiro acometido por um súbito derrame (acho que foi um derrame - não sei bem) e, após esse trágico fato, presenciei no dia a dia a força e dedicação com que ela cuidava dele sem deixar que a atenção aos vários netos (André, Mário, Simone, Andreza, izabela e eu) ficasse comprometida.
Vê-la nas fotos foi uma surpresa emocionante e muito feliz.
Parabéns pelo BLOG.

Beijos de seu filho, Guilherme.

tesco disse...

Oi, Lygia, não pude vir antes, mas ainda é dia. Não dá pra esquecer a importância da mulher em minha vida. Não só a mãe, mas minha irmã, que era a mais velha dos irmãos, e minha tia mais nova, foram fundamentais na minha subsistência e educação. E ao conseguir o primeiro emprego, meu primeiro chefe foi D. Janete. Mulheres sempre marcaram minha vida. Um só dia pra lembrar da mulher é pouco. _Beijos.

Simone disse...

Minha mãe, que artigo maravilhoso. Fiquei emocionada e quase não consegui concluir a leitura. Faço das palavras de meu irmão, as minhas: “Realmente uma grande mulher” (quando se referiu a minha vó). Mas, quero aproveitar a oportunidade para parabenizá-la pelo exemplo de mulher forte e lutadora que sempre foi. Orgulho-me muito de ter você ao meu lado. Um beijo de sua filha Simone e seu neto Felipe.

Lygia Prudente disse...

O segredo da minha tão propalada fortaleza é, com certeza, a minha família, meu marido, meus filhos Guilherme e você Simone, logicamente com o nosso tesouro, Felipe. Minhas homenagens à essa mulher que você se tornou. Um beijo,
Lygia

Layra disse...

Tia Lygia,


Tenho mto orgulho de fazer parte dessa família de mulheres admiráveis e de ser sua sobrinha, pois vc teve a sabedoria de absorver o melhor de todas essas mulheres e se tornou uma tia, mãe e avó exemplar.

Beijos,

Layra Fernandes

Lygia Prudente disse...

E você, Layra, vem trilhando o mesmo caminho, graças a Deus. Um abração da sua tia,
Lygia

Magna Santos disse...

Eita, Lygia, caí aqui por acaso e quase as lágrimas caíram também. Emocionante. Homenagens sempre me emocionam, quando feitas com o coração. Que linda família você tem. Parabéns!
Que Deus te abençoe.
Um abraço.
Magna