quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Casa de "VÓ"!


A casa de meus pais era o ponto de encontro da família, principalmente em comemorações, fossem elas quais fossem, até que a minha mãe perdesse a saúde, fato que transformou todo este clima de alegria em treze anos de tristeza pelo sofrimento que dela tomou conta até à sua morte. Éramos três irmãos e meu pai, a partir daí. Não era mais a mesma coisa. Mais velha dos irmãos - eu tinha então dezoito anos - e única mulher, dois anos depois casei. Com o nascimento de meus dois filhos e o casamento dos meus dois irmãos, a família cresceu e foi, aos poucos, retomando aquele clima festivo, tomando como parâmetro os tempos bons vividos sob a condução da D. Lourdes. Como os meus irmãos moravam fora do estado e meu pai passou a morar com a minha avó numa casa menor, a minha casa passou a ser a casa da "Vó" que acolhia a todos com a alegria de quem já detém uma "sabedoria" pelo tempo já vivido (o que não era o caso). Lembro-me com saudades das festas juninas e época de Natal, a excitação das crianças, juntas dia e noite, a casa bagunçada sem que isso incomodasse quem quer que fosse. À noite, os colchões eram espalhados pela sala - para elas era o melhor momento - para a dormida. Ninguém queria dormir em quarto. Só no chão e juntas. Quando estavam todas as crianças, eram em número de nove. Ao relembrar, tudo isso me emociona. Quanto prazer em tê-los na minha casa, todos juntos. Naturalmente, à medida que o tempo passou, deixaram de ser crianças e os interesses passaram a ser outros, os compromissos também. Hoje, adultos, constituíram famílias também, o que divide um pouco a presença nos eventos. Torna-se complicado conseguir juntar todos na casa da "VÓ". Mas, com certeza, a boa lembrança os acompanha, porque os meus filhos vez por outra, trazem à tona esta saudade e procuro manter viva esta lembrança falando para o meu netinho (sete anos) da importância e do valor destes contatos, encontros, dentro da família. Muita saudade!

Lygia Prudente

domingo, 28 de dezembro de 2008

Tin...tin... para o Ano Novo – crendices que alimentam a tradição!

Procuramos sempre saudar o Ano Novo com um brinde, na esperança de que aquele momento de euforia se perpetue. Para que você faça o seu “tin...tin...” consciente, é bom que saiba que a palavra BRINDE é de origem alemã que traduzida significa “OFEREÇO-TE” e o hábito desta manifestação teve início na antiguidade entre os saxões, ao passar o copo (um único copo) de mão em mão, para que todos compartilhassem o conteúdo, partilhando assim os seus desejos. A bebida, para eles, tinha poderes mágicos e o que naquele momento fosse desejado, aconteceria efetivamente, diferentemente de hoje, quando já não se acredita na magia que a bebida oferece, mantendo somente o sentido de comunhão, apesar do uso de taças individuais (tornando-se o costume muito mais higiênico). O “tin...tin” (tocar os copos levemente) representa os cinco sentidos : visão, olfato, tato, paladar e audição, tornando o prazer mais completo. Pode-se, entretanto, apenas erguer o copo em silêncio e brindar com qualquer bebida, inclusive água, até porque diz muito mal da pessoa, quando ela se recusa a participar de um brinde; acabar com a bebida após o brinde com um só gole; pousar a taça na mesa sem tomar um só gole e brindar com o copo vazio. Quanto ao uso do branco na virada, o costume varia muito de país para país: entre nós, esta cor lembra a paz e a pureza; para outros remete à morte, ao luto, a exemplo dos orientais. A sabedoria popular diz que as cores usadas na passagem de um ano para outro, influencia o destino de cada um e acredita que para quem busca a paixão, a cor vermelha é a ideal. O amarelo, que tem a cor do ouro, atrai dinheiro, como comer doze uvas verdes à meia-noite do Ano Novo e colocar três caroços de romã dentro da carteira no dia de Reis, é bom para ter dinheiro em todos os meses do ano. Enfim, o desejo de renovação está muito presente em todos pela ansiedade por boas mudanças, expressando isso através de rituais como desfazer-se de roupas e objetos envelhecidos. Também é hora de dar vazão às superstições: pular sete ondas, comer uva ou romã no dia 31 de dezembro, sal grosso na decoração do reveillon, para espantar mau-olhado. É a hora de todos vestirem branco no Brasil, numa expectativa de paz, de luz e também para reverenciar Iemanjá, a mãe dos Orixás, em grande parte do seu extenso litoral, acendendo velas e jogando presentes ao mar. Na verdade, o que se pretende com estas práticas, é propalar os hábitos e costumes que representam a nossa tradição, não importando se as superstições geram resultados, e fortalecer o desejo de começar o ano com o pé direito, com alegria, mesa farta e em família. E, se você mora no litoral, por que não levar rosas brancas e perfumes para jogar com muita fé nas águas? Se nós temos o poder interior de transformar – na medida do possível - o nosso dia conforme o nosso espírito, por que não... Feliz Ano de 2009 ?
Lygia Prudente

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Feliz você neste Natal!


Chega o final do ano e logo pensamos: passou rápido. É, realmente somos atropelados pelo tempo, principalmente quando fazemos o que, efetivamente, gostamos e também porque estamos envolvidos com pessoas que nos acrescentam, no nosso ambiente de trabalho. Pois é! Quando o Natal de aproxima, temos a sensação de que o ritmo diminui um pouco. Afinal, paramos para pensar em tudo o que conquistamos e fizemos de produtivo na nossa jornada. Depois desse momento de reflexão, começamos a fazer planos para o ano vindouro. Quem desperta tudo isso é o espírito do Natal. As comemorações do nascimento do Menino Jesus tem o poder de promover os sentimentos de união, de solidariedade, de prosperidade, de paz, de amor, naqueles em que estes sentimentos já sejam, pelo menos, sementes. Entretanto, é importante ter consciência que só estaremos no Natal propriamente dito, quando estes sentimentos alcançarem o nosso coração e para isto, é necessário que tenhamos no nosso âmago, na nossa consciência, sentimentos de benevolência, perdão, generosidade e alegria. É chegado o momento de, ao avaliarmos as nossas ações, jogarmos fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que nada nos acrescentaram e nos roubaram a paz de espírito e energia. Façamos uma limpeza nas amizades, amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os nossos, tirando do nosso coração aquelas pessoas inseguras, negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam nos arrastar para o fundo dos nossos próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento e passemos a alimentar projetos pessoais e profissionais. Comecemos agora e experimentemos aquele sentimento gostoso de liberdade. Liberdade de não ter de guardar o que não nos serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de pensar que mudará alguma coisa e... para melhor. Há mais, muito mais no Natal do que luz de vela, alegria e presentes. É a hora da faxina interior, que nos possibilitará prosseguir na caminhada de forma construtiva e coerente com os nossos princípios. Felizes são os momentos... e que assim seja neste Natal!

Lygia Prudente

domingo, 7 de dezembro de 2008

Ivan Valença e o Cine Aracaju


Comentário feito pelo crítico de cinema Ivan Valença. a respeito da postagem "Cine Aracaju", datada de 7 de setembro de 2008.

De: Data: 30 de novembro de 2008 15:33
Assunto: comentários
Enviado por: infonet.com.br
Meu caro Armando,

Recebi seus e-mails, reproduzindo seus artigos sobre os cinemas de Aracaju, que serão muito preciosos nos meus artigos. No artigo do cinema aracaju ou está enganado eu ou está enganado você. Não me lembro das trocas de poltronas, que sempre foram as mesmas, de assento azul acolchoado. Mas me parece que não havia acolchoamento nas costas. No que se refere a tela ela nunca foi trocada, sempre foi a mesma. Aconteceu que o Cinema Aracaju inaugurou-se sem ter a lente cinemascope, daí porque os filmes scope de empresas que eram exclusividades suas passavam em outra sala. então, como eram inumeros filmes em cinemascope, os baianos donos de cinema encontraram um jeito. A lente cinemascope foi fabricada especialmente para ele, para poder projetar na chamada tela panoramica, cortava um pedaço em cima e às vezes ficava muito dificil a leitura das legendas. Por isso Queiroz, quando arrendou o cinema, encontrou outra fórmula. A tela panorâmica continuou e ele mandou fazer outra lente, que enlarguecia quando o filme era em scope e ficava estreita quando o filme era comum. Acima da tela, ele colocou uma faixa de pano de veludo de modo que tinha-se a impressão que a tela era cinemascope de verdade. Quando se exibia o filme plano, ele usava a lente para tela comum. Pelo menos é isso que me lembro. Mas não descarto você de ter razão.

Ivan Valença

domingo, 30 de novembro de 2008

Época de magia.


E novamente é Natal! Há um clima de alvoroço no ar e consigo vislumbrar o desespero das compras de última hora, do embrulhar dos presentes e o arrumar da casa para a tão formal e compromissada ceia de Natal. Apesar de termos vivenciado esta cena por incontáveis vezes, um misto de prazer e hábito impera nesta época do ano tão cheia de magia, de sentimentos nobres que podem e devem ser explorados mais profundamente, através de atitude solidárias e de partilha. Para isso, devemos primar por uma organização em termos de planejamento para que não deixemos que este momento passe sem que tenhamos tempo de exercitar a real essência do Natal. Para começo de conversa, procuremos fazer uma lista de todas as pessoas a quem pretendemos presentear acompanhada das sugestões que se coadunam com a personalidade de cada uma. Embora a tradição precise ser preservada - temos este compromisso - os tempos são outros, reduzindo, significativamente, o número de pessoas constantes desta relação. Os netos hoje são prioridade e recebem o tão esperado presente no lugar dos pais que, por sua vez, se contentam em ver a felicidade dos filhotes. Por outro lado, há presentes para todos os gostos e todos os preços, facilitando assim, a adequação do seu Natal à condição da sua bolsa. Os presentes "curinga" são os preferidos e fáceis de encontrar, a exemplo do porta-retratos, lápis, etc. Particularmente os "curinga" não se constituem no meu interesse. Na minha opinião o presente não só deve como tem que ter a "cara" do presenteado e o valor não precisa extrapolar o seu planejamento. Vinhos e chocolates têm lugar garantido no gosto esmerado de quem os recebe. Lembro-me de ter vivenciado alguns Natais nos quais era adotado como presente um queijo do reino. Saudosos tempos. Lembremo-nos dos bazares beneficentes muito aflorados nesta época do ano e onde se tem a chance de comprar um presente mais sofisticado e, também, da internet, recurso muito utilizado nos dias atuais pela praticidade que oferece. Enfim, o planejamento e a organização decidem sobre como atravessaremos os festejos natalinos. Só depende de nós!


Lygia Prudente

domingo, 23 de novembro de 2008

Coronelismo de Fraque


Sidarta Gautama – Buda – diz que “para alcançar a sabedoria, o indivíduo tem que abrir um caminho de dentro para fora, ao invés de tentar absorver a luz, supondo que ela se encontre além de si mesmo”. Sábio esse “cara” não é mesmo? Há uma necessidade imperiosa, característica dos ditos tempos modernos, que nos acostumemos a perceber coisas que no primeiro momento nos fogem, aguçando cada vez mais o nosso senso comum, porque é dele que se manifesta, em todas as ações que praticamos, os nossos valores morais, herança dos nossos pais, de inestimável valor. Constata-se, na modernidade, a ausência de princípios como a solidariedade, o respeito pelo outro, a partilha e, em contrapartida, semeia-se a discórdia, a ambição exarcebada, o poder do dinheiro – que tudo compra e tudo pode, fazendo desaparecer os limites e enaltecendo, cada vez mais, a vontade de poucos, alicerçada pelo preconceito latente e a naturalidade dos atos praticados para se chegar ao alcance de objetivos ilógicos e, acima de tudo, sórdidos. O bom disso tudo é que ainda consigo ficar surpresa e estupefata ante fatos desta natureza. Quanta hipocrisia no lidar com pessoas, “socialmente” falando, falsidade e “jogo de cintura”, que permeiam as relações dos “poderosos”, dos donos do dinheiro, no mundo atual, predominantemente alicerçada pela vontade de vencer sempre. Sentimos falta de “berço” – no sentido da formação e da educação familiar, com princípios nobres fortemente arraigados e indispensáveis na construção do sujeito coerente, completo, que contribua positivamente para a sociedade na qual está inserido, independente do patrimônio material que o acompanhe. Não é a modernidade que vai estabelecer parâmetros como este, e sim, cada um de nós, dentro do que temos como importante e norteados pela escala de valores advinda do nosso senso comum, a nossa intuição, produto da nossa formação. A globalização impõe regras - quando estimula a competitividade desenfreada - que precisam ser avaliadas. Devemos absorver e tomar como parâmetros aquilo que detectamos como enriquecedor, porque o que conquistamos de puro e durável da vida atribulada que levamos, são as relações com as pessoas que pensam igual. E a estas temos a obrigação de não decepcioná-las. Sejamos a essência do nosso interior e assim estaremos fortalecidos para enfrentar o mal com o qual convivemos diariamente, camuflado em peles de cordeiros.


Lygia Prudente

domingo, 2 de novembro de 2008

Lampião no contexto do cangaço


Sete décadas da morte do Rei do Cangaço, Maria Bonita e mais nove companheiros, ocorrida na manhã de 28 de julho de 1938, numa emboscada que ficou conhecida como o “Massacre de Angico”, em Poço Redondo-SE. Chega ao fim a trajetória do mais popular cangaceiro do Brasil. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Por sua inteligência e destreza, Lampião até hoje é considerado o Rei do Cangaço. No sertão castigado por secas prolongadas e marcado por desigualdades sociais, a figura do coronel representava o poder e a lei. Criava-se desta forma um quadro de injustiças que favorecia o banditismo social. Pequenos bandos armados, chamados cangaceiros, insurgiam-se contra o poder vigente e espalhavam violência na região.
Eram freqüentes, também, os atritos entre famílias tradicionais devido às questões da posse das terras, às invasões de animais e às brigas pelo comando político da região. Num desses confrontos, o pai de Lampião foi assassinado. Para vingar a morte do pai, entre outros motivos, Lampião entra para o cangaço.
O cangaço - movimento constituído de várias nuances no tempo e no espaço – teve suas primeiras manifestações na década de 1830, com grupos espontâneos que agiam no meio rural, instrumentalizados para resolver disputas políticas entre os potentados locais ou pela propriedade da terra. O cangaço sempre foi caronista dos momentos de crises políticas e sociais ocorridas em várias etapas da História do Brasil. O auge das suas ações e da organização cangaceirista se deu nas três primeiras décadas do século XX, sobretudo com o surgimento de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, a partir de 1918. Na verdade, o Cangaço é um sintoma da luta de classe que se processava no Nordeste. Entretanto, o cangaceiro não tinha consciência social e o Cangaço acabava sendo simplesmente uma reação à miséria que não se resolvia de forma racional e sim, pela violência. Para entendermos bem tudo isso, é preciso acompanhar como atuavam os cangaceiros, e, principalmente, o grupo de Lampião, de quem se tem mais informação. O desenrolar da história do cangaço, tem raízes fortes na questão social e na disputa por um espaço de chão, fatores que influenciaram, indiscutivelmente, no surgimento das revoltas populares, de grupos e líderes que buscavam maneiras de estabelecer um poder paralelo, em contraponto ao governo constituído, que não cumpria seu papel de manter a estabilidade e, principalmente, a justiça social. O sertão do nordeste brasileiro tem sofrido poucas alterações ao longo do tempo, tanto no aspecto climático quanto no social. Desde a segunda metade do século passado até o começo deste, a contestação à pobreza e às péssimas condições de vida tem rendido movimentos populares e muitas dores de cabeça para os donos do poder local e para a administração oficial. Várias rebeliões aconteceram, causadas pela exploração da mão-de-obra do sertanejo desalojado de suas terras pela seca e pelos grandes latifundiários, além de submetido a regimes de trabalho praticamente escravo. Essas rebeliões disseminaram-se pelo agreste, alimentadas pelo número cada vez maior de flagelados. Sem outras alternativas e sabendo que esse estado de coisas seria uma constante, os grupos de rebeldes procuraram em si mesmos os meios para tentar mudanças, instigados pelo analfabetismo, pela fome, pela falta de futuro melhor, pelos anos sucessivos de seca, pela falta de vontade política.
O sertão é, por natureza, adverso ao homem que ali tenta viver. O sertanejo nordestino e sua terra eram e continuam sendo um só todo. Tirar a terra do sertanejo é matá-lo. Tirar o sertanejo da terra é condená-lo a uma existência tão diferente do que lhe é próprio e natural que chega a ser irreal.
As causas do surgimento do cangaço foram de natureza variada. A pobreza, a falta de esperanças e a revolta não foram as únicas. Isso é mais que certo. Mas foram estas circunstâncias as mais importantes para que começassem a surgir os cangaceiros. Muitos, como dissemos, eram pequenos proprietários, mas mesmo assim tinham que se sujeitar aos coronéis. Do meio do povo sertanejo rude e maltratado surgiram os cangaceiros, convictos de que lutavam pela sobrevivência.
Lampião, ao contrário do que muita gente pensa, não foi o primeiro cangaceiro, mas foi, praticamente, o último. Sem dúvida nenhuma, foi o mais importante e o mais famoso de todos. Seu nome e seus feitos chegaram a todos os recantos de nosso país. Praticam assassinatos por vingança ou por encomenda. Pela fama que alcança, Lampião torna-se o "inimigo número um" da polícia nordestina. Muitas são as recompensas oferecidas pelo governo para quem o capture. Mas as tropas oficiais sempre sofrem derrotas quando enfrentam seu bando.
Em 1930, há o ingresso das mulheres no bando. E Maria Déia, a Maria Bonita, torna-se a grande companheira de Lampião. Esta "aristocracia cangaceira" , como define Lampião, tem suas regras, sua cultura e sua moda. As roupas, inspiradas em heróis e guerreiros, bem ao estilo de Napoleão Bonaparte, são desenhadas e confeccionadas pelo próprio Lampião. Os chapéus, as botas, as cartucheiras, os ornamentos em ouro e prata, mostram sua habilidade como artesão.
Após dezoito anos, a polícia finalmente consegue pegar o maior dos cangaceiros. Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, a Volante do tenente João Bezerra, numa emboscada feita na Grota do Angico, em Sergipe, mata Lampião, Maria Bonita e parte de seu bando. Suas cabeças são cortadas e expostas em praça pública. Lampião e o cangaço tornaram-se nacionalmente conhecidos. Seus feitos têm sido freqüentemente temas de romancistas, poetas, historiadores e cineastas, e fonte de inspiração para as manifestações da cultura popular, principalmente a literatura de cordel. O caminho que Lampião traçou nas sendas da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, hoje claramente observado nos mapas e na memória viva da história do cangaço, praticamente não foi alterado nos últimos 60 anos.
Onde lutou Lampião, nos dias de hoje ainda estão as sobras da subserviência, a presença maciça da ignorância, a exploração dos pequenos e dos humildes. E, de forma geral, também a indiferença nacional continua a mesma. Até a imagem física das localidades permanece quase a mesma do século passado. Quase nada mudou desde os tempos em que Lampião decidiu que não seria mais o trabalhador Virgulino Ferreira.

Lygia Prudente